Editorial 09/04/26
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
A indiferença política e a baixa representação em Poços
A transferência simbólica da capital de Minas Gerais para Poços de Caldas ocorreu sem o entusiasmo popular que acompanhou chefes do Executivo em décadas passadas.
O então vice Mateus Simões (PSD) chegou à cidade na condição de governador, devido à desincompatibilização de Romeu Zema (Novo) do cargo para a disputa presidencial, mas a recepção foi apática.
O contraste é nítido quando comparado às visitas de ex-governadores como Tancredo Neves, Hélio Garcia ou Itamar Franco e até mesmo mais recentemente, Aécio Neves e Antônio Anastasia.
Naquelas ocasiões, a presença da autoridade estadual alterava a rotina urbana e mobilizava cidadãos no aeroporto e nas ruas.
Desta vez, a passagem do governador não gerou aglomerações ou interesse público espontâneo.
Este distanciamento do eleitorado local reflete dois fatores claros. O primeiro é o desconhecimento da figura de Mateus Simões, que utiliza o cargo para uma pré-campanha ao governo estadual.
Ele tenta modificar uma imagem construída nos bastidores políticos para adotar uma postura mais palatável ao público, mas o esforço não encontrou eco na população sul-mineira.
O segundo fator é a percepção de que a gestão Zema, da qual Simões é continuidade direta, entregou poucos resultados práticos para o município ao longo de oito anos.
O balanço das ações estaduais em Poços de Caldas é insuficiente. Os anúncios realizados durante a visita, como a instalação de uma unidade do Colégio Tiradentes e investimentos em segurança, não compensam a ausência de projetos de infraestrutura ou desenvolvimento econômico de grande porte.
Na memória coletiva do poços-caldense, a marca do governo atual está vinculada à instalação de praças de pedágio nas rodovias da região e à construção de uma unidade penitenciária na Zona Sul.
São intervenções que geram ônus direto ou preocupações sociais, sem contrapartidas que melhorem a qualidade de vida ou a economia local de forma proporcional.
A falta de representação política da cidade na Assembleia Legislativa de Minas Gerais agrava este quadro.
Sem deputados estaduais que tenham Poços de Caldas como base principal e prioritária, as demandas do município perdem força no orçamento do Estado.
A cidade fica dependente de visitas oficiais que possuem caráter mais protocolar e eleitoreiro do que administrativo.
O isolamento político resulta em uma gestão estadual que ignora as particularidades da maior cidade do Sul de Minas, tratando-a apenas como cenário para eventos de transferência de capital que não deixam benefícios concretos.
A indiferença da população com a presença de Simões é o resultado de quase uma década de baixa interlocução e poucas entregas reais.
Qual é a sua reação?



