Editorial 09/04/26

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Abr 9, 2026 - 10:27
Abr 14, 2026 - 19:43
Editorial 09/04/26

A indiferença política e a baixa representação em Poços

A transferência simbólica da capital de Minas Gerais para Poços de Caldas ocorreu sem o entusiasmo popular que acompanhou chefes do Executivo em décadas passadas.

O então vice Mateus Simões (PSD) chegou à cidade na condição de governador, devido à desincompatibilização de Romeu Zema (Novo) do cargo para a disputa presidencial, mas a recepção foi apática.

O contraste é nítido quando comparado às visitas de ex-governadores como Tancredo Neves, Hélio Garcia ou Itamar Franco e até mesmo mais recentemente, Aécio Neves e Antônio Anastasia.

Naquelas ocasiões, a presença da autoridade estadual alterava a rotina urbana e mobilizava cidadãos no aeroporto e nas ruas.

Desta vez, a passagem do governador não gerou aglomerações ou interesse público espontâneo.

Este distanciamento do eleitorado local reflete dois fatores claros. O primeiro é o desconhecimento da figura de Mateus Simões, que utiliza o cargo para uma pré-campanha ao governo estadual.

Ele tenta modificar uma imagem construída nos bastidores políticos para adotar uma postura mais palatável ao público, mas o esforço não encontrou eco na população sul-mineira.

O segundo fator é a percepção de que a gestão Zema, da qual Simões é continuidade direta, entregou poucos resultados práticos para o município ao longo de oito anos.

O balanço das ações estaduais em Poços de Caldas é insuficiente. Os anúncios realizados durante a visita, como a instalação de uma unidade do Colégio Tiradentes e investimentos em segurança, não compensam a ausência de projetos de infraestrutura ou desenvolvimento econômico de grande porte.

Na memória coletiva do poços-caldense, a marca do governo atual está vinculada à instalação de praças de pedágio nas rodovias da região e à construção de uma unidade penitenciária na Zona Sul.

São intervenções que geram ônus direto ou preocupações sociais, sem contrapartidas que melhorem a qualidade de vida ou a economia local de forma proporcional.

A falta de representação política da cidade na Assembleia Legislativa de Minas Gerais agrava este quadro.

Sem deputados estaduais que tenham Poços de Caldas como base principal e prioritária, as demandas do município perdem força no orçamento do Estado.

A cidade fica dependente de visitas oficiais que possuem caráter mais protocolar e eleitoreiro do que administrativo.

O isolamento político resulta em uma gestão estadual que ignora as particularidades da maior cidade do Sul de Minas, tratando-a apenas como cenário para eventos de transferência de capital que não deixam benefícios concretos.

A indiferença da população com a presença de Simões é o resultado de quase uma década de baixa interlocução e poucas entregas reais.

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