Editorial 09/02/26
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
O desafio social no pátio da Igreja de São Benedito
A Secretaria Municipal de Assistência Social respondeu a um requerimento de autoria dos vereadores Diney Lenon (PT) e Tiago Mafra (PT) sobre um dos principais problemas do setor na área central de Poços de Caldas: a situação crítica no entorno da Igreja de São Benedito.
A resposta da Secretaria acende um alerta sobre o descompasso entre a burocracia e a urgência social.
Ao responder aos questionamentos da Câmara Municipal, o Executivo apoia-se na existência de diretrizes nacionais e serviços como o Consultório na Rua e o CAPS AD para justificar a ausência de um plano intersetorial formalizado e a falta de metas mensuráveis.
No entanto, os números apresentados revelam uma eficácia que beira a irrelevância diante da magnitude do problema.
Nos últimos três meses, as ações desenvolvidas no local resultaram no encaminhamento voluntário de sete pessoas para comunidades terapêuticas conveniadas, das quais apenas uma manteve permanência no tratamento além dos primeiros dias.
Também se registrou a internação de outros cinco usuários, que também não se mantiveram dispostos a dar continuidade ao tratamento.
O índice de adesão é pífio, e a justificativa de que a "intersetorialidade já é plenamente executada" soa vazia quando o que se vê no pátio é o avanço do uso de drogas e a consolidação de moradias improvisadas.
O respeito à autonomia do indivíduo, pilar do SUAS, é fundamental, mas não pode servir de escudo para o imobilismo do poder público.
Vale ressaltar que a Praça Coronel Agostinho Junqueira, onde está situada a igreja, é de propriedade da Diocese de Guaxupé e, durante o dia, é locada para servir de pátio de estacionamento do DMAE.
Há quem defenda o cercamento da praça durante a noite. Por um lado, o cercamento pode oferecer um alívio imediato, impedindo que o pátio se transforme em dormitório e ponto de consumo de entorpecentes.
Facilitaria o zelo pelo patrimônio público e daria à Guarda Civil Municipal um perímetro definido para monitorar.
No entanto, a experiência urbanística ensina que grades não resolvem a vulnerabilidade, pois apenas a empurram para a calçada ao lado ou para a próxima praça.
Pode haver um aceno de esperança no aumento de 15,7% no orçamento do setor para 2026 e na promessa do "Projeto Colorindo Vidas", que prevê a reinserção de pessoas em situação de rua no mercado de trabalho.
No entanto, moradores e comerciantes do entorno estão cansados de esperar para ver resultados. A cidade precisa de uma gestão que saia do conforto das normativas federais e encare a especificidade do território.
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