Ordem do Dia 30/06/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Aqueles que hoje são considerados da "terceira idade" têm um problema: uma espécie de frustração de expectativas, quase existencial. Inclusive este colunista.
Frustração que se agrava, justamente, em períodos de Copa. Vejamos.
A memória, embora às vezes enganosa, traz sentimentos.
Embalados por lembranças, que se projetam em eventos como o da Copa mundial de futebol. E tem até trilha sonora: "Prá frente Brasil", o hit de 1970.
O primeiro verso funcionava como um hino de mobilização nacional: "Noventa milhões em ação, prá frente Brasil, salve a Seleção!" Algo impensável numa sociedade polarizada.
Não era apenas um time dos sonhos que embalava as expectativas de um país inteiro.
Nossa economia crescia a uma média de 7% ao ano, não havia inflação, os juros eram baixos e havia bons, e muitos, empregos disponíveis.
Pequenos empreendedores prosperaram. Grandes obras de engenharia povoavam nosso imaginário.
O Banco Nacional da Habitação financiava milhões de moradias. Nomes como "Itaipu binacional", "Transamazônica", "Ponte Rio-Niterói", "Usina nuclear Angra I", se popularizaram. Tínhamos "obras faraônicas". Delfim Neto comandava a cena econômica. Eram os tempos do "Brasil grande".
Naquela época, usar a camisa da seleção era algo natural. Não significava uma opção política bizarra.
O povo, em sua grande maioria, era católico e ninguém "falava em linguas" nos cultos religiosos. Apenas oravam a Deus.
E veio o tri campeonato: com ele, definitivamente, a Taça Jules Rimet. De ouro puro. Então, jogava-se pela taça. Não pelo ouro.
O tempo passou. Roubaram a taça, derreteram e venderam o ouro. O Brasil grande também derreteu. Junto dos sonhos e fantasias.
Hoje, não mais construímos grandes obras. Mas apenas "estranhas catedrais" ideológicas, tal como disse o cancioneiro popular.
E os da terceira idade se ressentem. Do destino de seus sonhos infantis.
Ainda que não tenham nos contado a "metade da missa", éramos crianças.
E confiamos que aquilo tudo era verdade. E que viveríamos "felizes para sempre".
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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