Editorial 09/08/25
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
Chegou a hora de abrir a caixa-preta da Prefeitura
A recente aprovação da contratação de duas auditorias externas pela Câmara de Poços mostra que há algo de errado na gestão financeira e fiscal do Executivo nos últimos anos.
Uma das auditorias busca investigar a gestão do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
Há uma discrepância de R$ 32 milhões em saldos das contas do FUNDEB e a Prefeitura simplesmente não sabe onde está o dinheiro.
Pelo menos, não soube responder a um requerimento do vereador Tiago Mafra (PT) sobre o assunto. Nos bastidores, fala-se até que a suposta ação de um hacker no sistema da Prefeitura, em outubro passado, seria apontado como um dos motivos para não se saber o real paradeiro dos recursos.
Se esse for o motivo, ou que seja um deles, expõe a fragilidade do sistema de tecnologia da informação da Prefeitura.
Se o dinheiro sumiu ou se pelo menos ainda está lá, mas não se sabe onde, é o que se espera que a contratação desta auditoria revele.
A outra auditoria proposta é para a apurar a construção do Centro Administrativo, uma obra milionária que é cercada de polêmicas e questionamentos desde quando se iniciou.
Afinal, quanto custou? Como fica a situação do Complexo Santa Cruz, dado como parte do pagamento? Qual o impacto dos aditivos no custo final do projeto?
Ambas as iniciativas refletem uma necessidade urgente de fiscalização, transparência e prestação de contas.
No entanto, diante do grave panorama financeiro e fiscal apontado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) sobre os gastos do município, o que parece ser um colapso financeiro iminente, além da disparada da dívida fundada do município, é necessário que a fiscalização vá além. Não podemos nos contentar apenas com auditorias pontuais.
É hora de abrir a "caixa-preta" administrativa da última gestão de forma completa e abrangente. É preciso contratar uma auditoria externa e independente que examine todos os contratos, gastos e decisões financeiras dos últimos anos.
Somente assim a população de Poços de Caldas terá a certeza de que os recursos públicos foram utilizados de forma correta e responsável. A transparência não é um favor, mas uma obrigação de quem gere o município.
A população de Poços de Caldas exige respostas e merece saber a verdade sobre o que originou a grave situação financeira. Não dá mais para tolerar que o discurso de transparência fique apenas no papel.
Qual é a sua reação?



