Diretor do DMAE aponta pelo menos 21 casos de excesso de horas extras
Paulo César Silva disse que providências estão sendo tomadas
Poços de Caldas (MG) - O diretor do Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE), Paulo César Silva, rebateu as denúncias de má gestão e excesso de horas extras na autarquia, classificando a moção de apelo por seu afastamento votada na Câmara Municipal na terça-feira, 7, como uma "situação política".
As declarações foram feitas na manhã de ontem, 9, durante entrevista ao programa "Jornal da Manhã", da Rádio Jovem Pan.
O diretor expressou tranquilidade quanto à legalidade e transparência de suas ações, mas se disse ter estranhado a pressa da votação da moção, uma vez que ele já havia solicitado à Câmara a oportunidade de se manifestar.
"Me causou estranheza, porque eu havia pedido, logo que chegou a denúncia, eu no mesmo dia fiz uma solicitação (à Câmara), além de tomar todas as providências. Eu gostaria de ir à Câmara me manifestar, me colocar à disposição dos vereadores para poder ser arguido, ser questionado de todas as formas", afirmou. Ele relatou que a data inicial mar-cada para sua ida era 25 de novembro. No entanto, diante da votação de terça-feira, o diretor agradeceu aos vereadores da base que se abstiveram do voto, exatamente para lhe dar a oportunidade de ser convocado e ir o mais rápido possível à Casa.
Sindicâncias e auditoria externa
Paulo César Silva detalhou as providências tomadas assim que as denúncias chegaram, tanto por meio dos vereadores quanto pela Controladoria da Prefeitura.
O foco principal das denúncias foi o excesso de horas extras para 21 servidores. O diretor garantiu que, caso haja irregularidade, as providências serão tomadas, reforçando que essa é sua função.
As medidas iniciais foram abertura imediata de uma sindicância abrangendo o período desde 2018 para apurar todos os fatos junto ao RH e ao DMAE, contratação de uma auditoria externa para investigar todo o processo e abertura de uma sindicância específica para os 21 funcionários citados pelo "certo exagero de horas extras".
Sobre o excesso de horas extras, o diretor justificou: "Eu não posso parar de tratar a água, eu não posso parar de dar atenção, não posso deixar a cidade sem água. O que é que acontece com os servidores que estão lá? Sobrando tudo, tendo que fazer hora extra, porque eu não tenho funcionário, não posso contratar".
O diretor garantiu que fará um levantamento para provar que foi mais barato pagar hora extra do que contratar uma empresa.
Questionado sobre a denúncia de um servidor que teria batido ponto de forma irregular, o diretor confirmou que o fato "chegou [e] me preocupou bastante".
Ele explicou que uma sindicância específica está apurando o caso. "Eu queria já ter aberto o processo administrativo disciplinar (PAD), que ele é mais rigoroso, mas por força de lei, primeiro se abre a sindicância e a sindicância indica o que fazer," disse, acreditando que o caso "não vai ter a menor dúvida" de que vai se transformar em um PAD, onde serão determinadas as punições.
Confiança do prefeito
Sobre a moção de apelo de seu afastamento, o diretor afirmou que o prefeito Paulo Ney (PSD) tem conhecimento total da situação.
"Ele sabe perfeitamente que é um ato político. Todo o tempo eu conversei com o Paulo Ney," declarou. Ele expressou estar "muito tranquilo" com relação à confiança do prefeito, que acompanha, visita o DMAE e tem uma equipe que monitora a autarquia.
"A única coisa que me deixou chateado foi não me dar a oportunidade de ir lá [na Câmara], que eu havia pedido antes de que eles tomassem essa atitude," concluiu.
Questionado se teria ligado para vereadores antes da votação, ele confirmou o contato, mas negou qualquer "trabalho político de bastidores".
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