15 de outubro – Dia do Professor. Mas... de qual professor estamos falando?

15 Out, 2025 - 12:04
15 de outubro – Dia do Professor. Mas... de qual professor estamos  falando?

Outubro é o mês em que lembramos e celebramos o professor. Hoje, quero falar de um professor em especial: o professor de Música. 

E, mais do que isso, prestar homenagem aos mestres do Conservatório  Municipal de Poços de Caldas, instituição que há décadas é um verdadeiro patrimônio cultural e humano da nossa cidade. 

O Conservatório sempre foi motivo de orgulho para Poços. Quantos alunos formados por nós ocupam grandes universidades, palcos renomados ou orquestras de prestígio? 

Quantas vidas transformadas pela música? Em meus  anos dedicados a esta instituição, vi nomes brilhantes nascerem aqui, projetos florescerem e a cidade vibrar com nossas apresentações. 

Houve tempos áureos em que o Conservatório pulsava em sintonia com a população, promovendo cultura e recebendo, em troca, reconhecimento e respeito. Mas e hoje? 

O que restou desse vínculo? É com tristeza que confesso: já não vivemos mais os mesmos tempos. Durante oito anos, fomos vítimas de promessas vazias, como quem oferece açúcar à criança para acalmar seu choro. 

Falaram em sede própria, em melhores condições de trabalho, em valorização da arte. Prometeram muito, mas nada se concretizou. 

Continuamos sem espaço digno, presos a protocolos inúteis que em nada dialogam com nossa realidade, obrigados a preencher papéis que não traduzem o que fazemos nem o impacto que causamos. 

Promessas de uma sede em um  prédio  insalubre, com mofo nas paredes e entulho acumulado, onde até agora nada está sendo feito para nossa entrada e por outro lado, onde estamos, Instrumentos que desafinam mais do que afinam, pianos sem condições de uso, salas sem estrutura mínima, horários engessados porque sequer há espaço para ajustes. Somos comparados a escolas regulares como se nosso trabalho fosse o mesmo, mas não é. 

Nosso ofício é outro, nossa especificidade é outra mas quem da Prefeitura está disposto a entender isso? Quem poderia nos ouvir e  não apenas escutar? Somos chamados de "reclamões", tachados de resistentes ou briguentos. Mas será mesmo? 

Ou será que apenas cansamos de não sermos ouvidos? Cansamos de assistir ao desmonte de uma instituição que, mesmo com tantas dificuldades, continua transformando vidas? 

Não pedimos privilégios. Exigimos apenas o mínimo: respeito, con-dições dignas e o reconhecimento pelo trabalho que oferecemos à comunidade. 

O Conservatório é gratuito e está de portas abertas a todos. É um espaço onde qualquer cidadão, sem distinção, pode ter acesso à música, à arte e à transformação. 

Essa é a nossa riqueza. Não é pão e circo, é conhecimento. Não é vaidade, é serviço. Não é improviso, é formação. 

Falo aqui como professora com 36 anos de dedicação, com muito orgulho da minha trajetória, mas também com muitas decepções acumuladas, especialmente nos últimos anos. 

Ainda sonho com o dia em que poderei comemorar o 15 de Outubro com a alegria plena de dizer: sou professora de Música e exerço minha arte em condições justas. 

Por enquanto, sigo dividida entre a tristeza de ver promessas não cumpridas e a alegria de saber que, apesar de tudo, a população reconhece e valoriza nosso trabalho. 

Porque, no fim, é isso que nos sustenta: o olhar grato dos alunos, o aplauso sincero da plateia, o carinho da comunidade. Somos professores. Somos músicos. Somos resistência. 

E mesmo diante das dificuldades, continuamos acreditando que a música,  assim como o professor, ainda pode transformar o mundo.

* Cristiane Fernandes é doutoranda em Psicologia, peda-goga e educadora musical 

 

Qual é a Sua Reação?

Curtir Curtir 0
Não Curtir Não Curtir 0
Amei Amei 0
Engraçado Engraçado 0
Bravo Bravo 0
Triste Triste 0
Uau Uau 0