Vereadores pressionam pelo afastamento do diretor do DMAE

Parlamentares exigem ampliação das investigações e citam elo com desvio milionário

Nov 5, 2025 - 09:20
Nov 5, 2025 - 09:25
Vereadores pressionam pelo afastamento do diretor do DMAE
Paulo César Silva foi à Câmara e se defendeu sobre a questão da farra das horas extras no DMAE

Poços de Caldas (MG) - Uma longa explanação marcou a sessão ordinária de ontem, 4, na Câmara Municipal, por conta do embate entre vereadores, representantes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv) e o diretor-presidente do Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE), Paulo Cesar Silva. 

Convocado para comparecer à Câmara, o diretor falou sobre as denúncias de irregularidades na autarquia por conta da chamada farra de horas extras, mas saiu acuado por pedidos formais de afastamento e cobranças por responsabilização das chefias.

O diretor-presidente tentou se utilizar de sua experiência política para convencer os vereadores sobre as providências que estão sendo tomadas, buscando colocar uma pedra sobre o assunto.

No entanto, os vereadores apontaram que ele não apresentou uma defesa formal sobre as denúncias, limitando-se a afirmar que estava à disposição para esclarecimentos. 

O diretor chegou a apresentar cópias de suas declarações de imposto de renda e holerites, na tentativa de mostrar aos vereadores que ele não cometeu nenhuma irregularidade que tenha proporcionado benefícios financeiros.

Sua postura de transferir continuamente a responsabilidade para as chefias, sem admitir falhas na supervisão, não convenceu boa parte dos vereadores.

Pedido de afastamento 
Falando em nome de 10 parlamentares, o vereador Tiago Braz (Rede) formalizou o pedido de afastamento de Paulo César Silva do cargo. 

A justificativa principal é que a sua permanência pode comprometer a isenção das investigações em curso dentro do DMAE. Questionado sobre a necessidade de se afastar, Paulo Cesar Silva negou ver motivo para tal.

Os questionamentos dos vereadores escalaram ao exigir a ampliação da sindicância. O vereador Diney Lenon (PT) defendeu com veemência que a investigação, atualmente focada em um servidor suspeito de receber horas extras irregulares, deve incluir "as chefias que autorizaram esses pagamentos."

O ponto de maior tensão foi quando o vereador Tiago Mafra (PT) questionou se a chefia que autorizou os recentes pagamentos excessivos de horas extras era a mesma que comandava a servidora condenada pelo desvio de R$ 3,5 milhões do DMAE. O próprio diretor Paulo Cesar Silva confirmou o vínculo.

A vereadora Meiriele Maximino (União) somou-se às críticas, acusando o diretor de usar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para omitir informações solicitadas pela Casa Legislativa.

Servidores manifestam insatisfação
A pressão contra o diretor não veio apenas do plenário. A plateia, que contava com a presença de representantes do Sindserv, manifestou-se contra as falas e a postura do diretor através de cartazes.

Ao final do debate, o entendimento entre os vereadores e o Sindicato se consolidou: com a confirmação de vínculos entre os escândalos atuais e o desvio milionário do passado, a permanência de Paulo Cesar Silva tornou-se insustentável. 

Os vereadores pretendem reforçar nas próximas sessões a pressão para o afastamento do diretor. 

Qual é a sua reação?

like

dislike

love

funny

angry

sad

wow