Subnotas 14/11/25

Na coluna Subnotas, Daniel Souza Luz fala de política com humor e de humor com política

Nov 14, 2025 - 10:10
Subnotas 14/11/25

PARINDO
A gestação técnica que substituiu a gestão técnica agora pariu o caso da economia superestimada. Se forem usar aquele exemplo clássico do marketing político… sabem, aquele que versa sobre a dona de casa que sabe gerenciar o orçamento doméstico e o compara à gestão pública… olha, sinto muito, não colará mais. 

TERMINOLOGIA 
Já notei aqui, há alguns anos, como algumas palavras entram com tudo na moda. Recentemente, o jornalista e escritor Fernando Morais também notou, em uma pequena crônica, o mesmo fenômeno com mais ou menos as mesmas palavras. Da minha parte, um caso em especial incomoda-me: o uso excessivo de "icônico". Sempre gostei mais dos termos "lendário" e "mítico". É uma pena, no entanto, que "icônico" tenha des-gastado-se tanto nas mãos de cabeças-ocas. É um termo que soa muito bem.

ETIMOLOGIA
Enquanto tem gente salivando de ódio pelo uso de pronome neutro - mero uso diastrático da linguagem, como inúmeros outros, e que jamais vai pegar fora do grupo originário por complicar ao invés de simplificar  - o que me tira do sério mesmo é pilantra falando em "narcoterrorista". Fulano inventa neologismo vagabundo para fazer populismo penal, mas uso lúdico da língua querem até proibir por lei. E na hora que a bu-kelização que estão propondo tragar a familícia, cujo capo di tutti capi está a um soluço do corró, quero só ver se vão continuar com esse discurso. O mal-estar que acontece agora em Santa Catarina será fichinha perto da luta fratricida que rolará nesse campo ideológico. 

ESQUECIMENTOS 
Tem um outro termo que ficou desgas-tado, mas creio que já pode ser reabilitado: corrupção. Sujeito cobra propina para liberar terreno ou uma obra? Corrupção. Mas sei lá, parece que essa palavra só pode ser usada quando certo partido está à frente do executivo. E aí só pode ser usada em postagens furibundas. O que temos no momento são casos isolados, não é mesmo? Não é conveniente apontar como algo sistêmico. 

CONCLUSÃO 
Por ora, portanto, corrupção é mais uma palavra esquecida por aqui. Um anacronismo, tal como sacripanta, biltre, pulha, sevandija e outros termos menos que cotados que abundavam nos romances do século dezenove. 
 
* Daniel Souza Luz é jornalista, escritor e revisor

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