Subnotas 13/03/26
Na coluna Subnotas, Daniel Souza Luz fala de política com humor e de humor com política
CABIDE CABE DE TUDO
Nesta coluna finalmente posso voltar para o humor ficcional e falar de coisas que jamais aconteceriam na vida real. Por exemplo, conceber uma cidade fictícia que tem a aparência de uma loja que vende armários. Nestes armários à venda há cabides que podem ser trocados conforme a conveniência.
REALOCAÇÃO
Neste ambiente reificado um promotor (vejam bem, um promotor de vendas, não do MP) chegou para o prefeito, quer dizer, para o gerente e disse "não tem cabimento pendurar mala em cabide". Aí o prefeito, quer dizer, o gerente disse para o promotor que ia tirar os assessores especiais, quer dizer, os malas, melhor dizendo ainda, as malas dos cabides de emprego. Peraí, quero dizer, na verdade, dos cabides de pendurar roupas! Perdão pela confusão, hoje estou desatento, mas dá para entender, vai.
JEITINHO
Para atender a exigência do promotor do Ministério Público, quer dizer, do departamento de vendas, o prefeito… não, pera, o gerente tira esses malas, quer dizer, essas malas, dos cabides. Tudo resolvido, basta pôr em outros cabides em outros armários. Com outras denominações nas etiquetas. Ora, tanto faz: quem vai pagar é você mesmo, contribuinte. Quer dizer, cliente! Que historinha surreal, não?
FALÊNCIA
O mais interessante é que o enquanto desperdiça recursos, esta cidade ficcional que tem a aparência de uma loja de móveis acumula prejuízos, pois gasta mais do que arrecada. À beira da bancarrota, não tem o gerente demitido e o anterior, que a meteu nesta barafunda, flana despreocupado com responsabilizações.
MESTRE
Esta história absurda talvez tivesse a chancela de Campos de Carvalho, o grande nome do surrealismo no Brasil, talvez junto ao Murilo Rubião, e virtualmente desconhecido do grande público. Ainda preciso conhecê-lo mais a fundo, diga-se de passagem. Sigam o conselho do ET Bilu: busquem conhecimento e também vão atrás também da obra de Carvalho. No mínimo espero que não contenha uma tramoia, perdão, uma trama deprimente como a que narrei aqui.
* Daniel Souza Luz é jornalista, escritor e revisor. E-mail: danielsouzaluz@gmail.com
* Jornalista, escritor e revisor
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