Setembro Amarelo: o silêncio pode ser fatal, a palavra pode salvar

Set 25, 2025 - 09:26
Setembro Amarelo: o silêncio pode  ser fatal, a palavra pode salvar

O mês de setembro ganhou um importante significado no Bra-sil e no mundo: é o período dedicado à prevenção do suicídio. 

A campanha, chamada Setembro Amarelo, nasceu para quebrar tabus e levar informação à sociedade sobre um tema muitas vezes silenciado, mas que precisa ser discutido com seriedade e acolhimento. 

A cor amarela foi escolhida como símbolo da vida e da esperança, lembrando que sempre há caminhos possíveis diante da dor. 

Durante todo o mês, instituições de saúde, escolas, empresas e comunidades organizam palestras, caminhadas, rodas de conversa e ações de conscientização, reforçando a importância de cuidar da saúde mental. 

No Brasil, a realidade é preocupante: segundo dados do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 14 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos no país, o que significa em média 38 casos por dia. Além disso, estima-se que, para cada suicídio, pelo menos outras 20 tentativas ocorram. 

Esses números revelam a urgência de falar sobre o tema e de fortalecer políticas públicas de prevenção. Outro ponto que chama a atenção é o crescimento entre os jovens. 

O suicídio já é a segunda principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos no Brasil, atrás apenas de acidentes de trânsito. 

Fatores como ansiedade, depressão, isolamento social, pressões acadêmicas e uso excessivo das redes sociais têm contribuído para esse cenário. Mas o que pode ser feito, na prática, para ajudar?

- Escuta sem julgamentos: muitas vezes, a pessoa que sofre precisa apenas de alguém disposto a ouvir de forma atenta e acolhedora.

- Falar sobre o tema com responsabilidade: quebrar o silêncio ajuda a diminuir preconceitos e incentiva quem precisa a buscar apoio.

- Apoio profissional: psicólogos, psiquiatras e médicos estão preparados para oferecer tratamento adequado. O SUS disponibiliza atendimento gratuito por meio dos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e da rede básica de saúde.

- Serviço de apoio emocional: o CVV (Centro de Valorização da Vida) funciona 24 horas por dia pelo telefone 188 ou pelo site (www.cvv.org.br), oferecendo atendimento gratuito e sigiloso.

- Atenção no dia a dia: familiares, amigos, professores e colegas de trabalho podem observar mudanças de comportamento e oferecer suporte antes que a situação se agrave.

O suicídio é um grave problema de saúde pública, mas pode ser prevenido com diálogo, apoio emocional e acesso ao tratamento adequado. 

O grande objetivo da campanha é incentivar as pessoas a falarem sobre seus sentimentos, a buscarem ajuda quando necessário e, principalmente, a escutarem com empatia quem está passando por momentos difíceis.

Espera-se do Setembro Amarelo que ele não seja apenas um mês de reflexão, mas um ponto de partida para ati-tudes diárias de cuidado e solidariedade. 

Ao estender a mão, ouvir sem julgamentos e oferecer apoio, cada um de nós pode fazer a diferença na vida de alguém. Falar é sempre a melhor solução. E ouvir, com atenção e respeito, pode salvar vidas.

* Cristiane Fernandes é doutoranda em Psicologia da Saúde, graduada em Psicologia, Pedagogia e Música 

 

 

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