Ordem do Dia 23/02/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
O principal instrumento de pressão imperialista de Trump, o uso de tarifas "recíprocas" escorchantes, encontrou um limite na Suprema Corte dos EUA.
Por 6x3, os juízes disseram o que todos sabiam: as tarifas são ilegais. Têm funcionado como se fossem impostos. Sendo assim, precisam de lei específica, votada no Congresso. E essa lei não existe. Elementar.
Entretanto, assim como todo e qualquer governante autoritário, Trump não aceitou. Decidiu desafiar politicamente a decisão judicial. Impôs novas tarifas, ainda que menores, de caráter temporário, atacou os juízes e fez diferentes ameaças.
Dois aspectos vêm a lume. Primeiro, ao contrário do que disse Trump, seu método tributário não visa corrigir nenhuma distorção comercial.
Simplesmente promove uma espécie de coação, ou chantagem, visando vantagens, sobre países mais fracos. O caso brasileiro seria dos mais escandalosos.
Tentou, através das megatarifas, interferir no julgamento de Bolsonaro e companhia. Uma iniciativa puramente política.
Ao fim e ao cabo, Trump traiu seus aliados brasileiros, uniu-se a Lula, não sem antes causar grandes prejuízos a produtores e trabalhadores. O prejuízo do Brasil, anotado no balanço comercial, teria chegado a quase 4 bilhões de reais.
Em segundo lugar, fica clara a precariedade da política econômica do governo norte-americano. Resume-se a tarifas? E ainda ilegais? Tosco.
Os governantes, em qualquer lugar do mundo, encarnam o perfil de seus apoiadores. O trumpismo representa o governo americano e o caráter de grande parte do povo daquele país.
Ninguém nega a pujança da história dos EUA e do quanto ensinaram ao mundo. Mas parece, a um só tempo, terem adotado um comportamento ridículo, ameaçador e perigoso para todos. O que devemos esperar dos EUA, para o futuro?
Muitos comemoraram o fim do tarifaço. Dezenas de produtos brasileiros não mais serão taxados à razão de 50%. A tarifa sobre produtos importados voltou, inicialmente, aos 10%, para todos os países.
Horas depois, Trump subiu essa tarifa geral, temporária, para 15%, comprovando que não possui qualquer planejamento. O que fará amanhã? Tocará pandeiro na Casa Branca?
Entretanto, a disposição política do biruta, que no momento governa os EUA, não deve ser subestimada. Ele ainda dispõe de muitos outros instrumentos de pressão e não demonstra consideração com ninguém.
Em editorial, um tradicional veiculo de imprensa asseverou: "Trump não é Rei". De acordo. Resta saber se o homem estaria convencido disso. Eis o busílis.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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