Ordem do Dia 18/09/25
Na coluna Ordem do Dia, o historiador, advogado e cientista político Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Enquanto o primeiro centro de refino, reciclagem e inovação de terras raras, da América do Sul, não começa a operar em Poços de Caldas, outros ativos, mais tradicionais, batem recordes de valorização.
Nesse caso, o ouro.
Uma onça (23,3 gramas) está avaliada em 3,7 mil dólares e aumentando. Neste ano, a valorização já atingiu 37%.
Há previsão de chegar a 4 mil dólares, até o fim do ano. É o que diz matéria de capa do prestigiado jornal Diário do Comércio.
O fenômeno é perfeitamente explicável, do ponto de vista macroeconômico. É o medo. Medo de que? Medo de nós mesmos.
Ato reflexo: a imprevisibilidade econômica, a insegurança política, nos faz buscar alternativas concretas de investimentos, robustas e de reconhecido valor. Com liquidez e, de preferência, portabilidade. Nada melhor que o ouro, nesse caso.
Ao mesmo tempo, curiosamente, cai o valor do dólar e as bolsas brasileiras batem recordes, mesmo com a economia ameaçada por tarifas, sanções, intervenções.
Vindas do país mais poderoso do mundo. Nosso terceiro maior parceiro comercial e habitual aliado. O que se passa? Como se explicam tais contradições?
As tarifas e os absurdos vociferados pelo governo Trump, até agora, parecem inócuos. Nenhuma grande tragédia foi percebida. Inclusive, o dólar caiu... Que tigre de papel seria esse?
Os governos não se falam, não funciona a diplomacia, há ameaças sobre ameaças. Apesar de tudo, continuamos vivendo, nossas misérias e nossos contentamentos.
Eduardo "bananinha" estaria quase normalizado. Já não mete medo. Papai vai para cadeia, se o Congresso deixar...
O que fará o Congresso? O que fará "bananinha"? Provavelmente, continuarão tentando inundar o país com seu ódio visceral.
Mas é necessário cautela. Quem provoca um mar de ódio corre o risco de afogar-se na própria obra. Pelo que sabemos, não há salva vidas que flutue no puro ódio.
Ou o que sobreviva em semelhante ambiente. Por melhores que sejam as palavras, ou avaliações, as ações em volta dizem mais.
E lembram os anos 1980, quando tudo parecia perdido. Mas havia forte esperança e alguma dignidade: o que parece não termos mais.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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