Ordem do Dia 17/07/25
Na coluna Ordem do Dia, o historiador, advogado e cientista político Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
As alegações finais, da lavra da Procuradoria Geral da República, encerram os trabalhos do Ministério Público Federal.
A pedida é forte. Vide a pena sugerida a Bolsonaro: 47 anos de prisão. Até Mauro Cid corre o risco de alguma reprimenda, apesar de delator.
O próximo passo será a sentença, condenando, ou absolvendo, os golpistas da direita bolsonarista.
Seus defensores negam a existência do golpe, no caso sua tentativa, a despeito das evidências.
Com a mesma ênfase e convicção que afirmam a fraude eleitoral, via urnas eletrônicas, sem quaisquer provas. Assim como condenaram as vacinas, a racionalidade, o bom-senso e a ciência, em geral.
São um poço de emoções desordenadas. "Um poço até aqui de mágoa", como disse o cancioneiro popular. Entoam um mantra contra Xandão e contra Supremo: "o STF desbordou de suas funções".
Como se isso fosse um sortilégio mágico. E resultasse num "abracadabra" qualquer. Denota uma mágoa contra os fatos, nesse caso.
Negam os fatos sem pestanejar. Se for conveniente, negam o ar que respiram, ainda que não se recusem a respirar.
São de tal ordem perigosos, que se dispõe a se associar a uma potência imperialista e trair os interesses nacionais, para salvar a própria pele.
E, em razão disso, não crêem que Bolsonaro será preso: o Brasil irá se curvar a Trump, e suas sanções, que ordenou a Anistia aos golpistas.
O precedente histórico, de algo parecido, soma mais de 200 anos. Foi quando as Cortes Portuguesas reinstalaram a condição de Colônia para o Brasil. E ordenaram o retorno de D. Pedro a Portugal. Deu-se, então, a independência.
Sua contraparte, por outro lado, é o próprio desencanto carcomido: representada por um líder não menos irracional, marcado pela ignorância, arrogância e megalomania, se coloca como uma alternativa doentia.
Com sua "primeira dama" sem freio e sem noção. Diz que não respeita regras ou protocolos, sejam nacionais ou internacionais. Um espanto, igualmente "imperial". Sugere um estilo: o janjismo.
O que temos que ter em mente seria que nossas escolhas fazemos nós. Não esses "fenômenos". E não se resumem a essas duas possibilidades. Mas quando iremos aprender isso?
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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