Ordem do Dia 16/07/25

Na coluna Ordem do Dia, o historiador, advogado e cientista político Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia

Jul 15, 2025 - 23:33
Ordem do Dia 16/07/25

No último sábado, houve o show de despedida da dupla Sá e Guarabira, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Este colunista lá esteve.  

Ambos se aproximam dos 80 anos de idade, 53 de carreira. E decidiram se separar por "causas naturais": a idade e a distância. Sá mora em Minas e Guarabira em São Paulo. 

Depois deles, como disse o cancioneiro sobre os ídolos, "não apareceu mais ninguém"? Ou "o novo sempre vem", conforme disse o mesmo cancioneiro? 

Se o novo sempre vem, o que o "novo" representa hoje, culturalmente? Na noite de sábado, ainda por volta das 20:30 horas, percorri o outrora pulsante centro "nobre" de BH dos anos 1980.  

Congregando o perímetro do  Palácio das Artes: o conservatório de música da UFMG, o Automóvel Clube, os  Teatros Marília, Cidade  e Francisco Nunes, a antiga sede do Estado de Minas, os diversos cinemas, alguns clássicos grandiosos, a insone Rua Goiás e seus bares e restaurantes, o chique Hotel Del Rey, o Parque Municipal, o indefectível Maleta e a Praça Afonso Arinos, ladeada pela vetusta "Casa de Afonso Pena", tendo logo acima a sede da Academia Mineira de Letras. 

Nessa noite de despedida, ostentavam uma solene e depressiva decadência. Sem a característica agitação e alegria. Sem pessoas indo e vindo. 

Via-se o vazio dos cemitérios, como se vê no meio da noite. Cujo paralelo seria a cultura mineira e nacional. 

Ambas, às portas da morte lenta. A cavar a própria sepultura. Sem direito a um réquiem sequer. 
Eis o "novo" na cultura.

* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com  

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