Ordem do Dia 14/01/26

Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia

14 Jan, 2026 - 11:54

Ostentando um curso de medicina, um mestrado incompleto e uma pós-graduação em administração pública, Jhonatan de Jesus, ministro do TCU, aparece como "figurinha carimbada" na imprensa nacional - assim como nesta coluna.

O conteúdo da Ordem do Dia, publicada nas plataformas digitais do dia 13.01.26, e no Jornal da Cidade no dia seguinte, foi repercutido Brasil afora. Em especial no Editorial do Estadão, de 14.01.26. Semelhança enorme. 

Pelo menos, de Jesus parece ser academicamente honesto. Registrou ter um mestrado incompleto. Ao contrário da ministra Carmem Lúcia, do STF, que divulgou um doutorado que nunca fez. Assim como Dilma Roussef. 

Primeiro, de Jesus comprometeu o TCU, Tribunal de Contas da União, ordenando inspeção estranha às competências do órgão, qual seja, a liquidação do Banco Master pelo Banco Central. 

Algo tão inusitado como o TCU inspecionar o conteúdo jurisprudencial de uma sentença do STF. Ou mesmo avaliar o peso calórico do cardápio servido no rancho dos oficiais, do Quartel General do Exército. Alegando que os generais estariam "gordinhos". Um espanto. 

Em razão disso, as emendas distribuídas por de Jesus, quando deputado, foram objeto de atenção. Infelizmente, não observaram o mesmo rigor que o ministro dedica ao Banco de Vorcaro. Ou ao cardápio do general, "mutatis mutandis". 

As emendas do deputado de Jesus observaram um padrão de desídia, falta de zelo ou irregularidades, dignas de uma inspeção, ou mesmo auditoria, por parte do TCU. E de acordo com suas constitucionais competências. 

Debalde, de Jesus decidiu proteger o pobre Vorcaro, dono do Master. Ao invés de proteger o patrimônio público, conforme seria sua obrigação, como deputado ou ministro do TCU.

Embora médico, de Jesus deveria saber que, atualmente, como servidor do TCU, em dedicação exclusiva, não poderia ter Vorcaro, ou o Banco Master, como paciente. 

Talvez seja o caso do ministro completar os estudos que abandonou, de modo a finalmente aprender essa lição.

* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com  

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