Ordem do Dia 07/07/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Esta coluna sempre traçou paralelos entre os estilos lulista e bolsonarista, representados por ambos os "mitos", e seus respectivos seguidores.
São parecidos em muita coisa. Até no voluntarismo militante das primeiras damas, de ambos os lados.
Sendo que um lado tem aprendido com o outro, ou simplesmente suas semelhanças se refletem em seu comportamento. Vejamos.
Ao mostrar o dedo do meio, num evento oficial no Planalto, a arrogância lulista presta homenagem à truculência bolsonarista - reincidente em atos hostis.
Sem tirar, nem pôr. O gesto agressivo, e despudorado, de um governante alcança o atual e o ex-presidente. Ambos pródigos em demonstrações infelizes.
Por essas e por outras desditas comportamentais, hoje, a maioria da população brasileira se diz "de direita", segundo recente pesquisa Datafolha.
Uma novidade na história recente do país. Que vem acompanhada da desidratação da outrora bem colocada posição "de centro".
As adesões rumaram para os extremos e o Centro Político foi abandonado.
Esse modelo sectário, do "nós contra eles", iniciado pelo lulo-petismo, serviu como luva ao ululante bolsonarismo. Mais uma semelhança.
No caso das primeiras-damas, haveria também pontos em comum. Nenhuma delas aceita o papel de coadjuvante.
Janja, a seu modo atabalhoado e indiscreto, vê-se acompanhada pelas posições corrosivas de Michelle contra os enteados.
Havendo uma diferença: Janja, sem Lula, não existe. Já Michelle construiu um patrimônio político capaz de ser decisivo numa eleição, para o bem ou para o mal.
Ambas as primeiras-damas são militantes. Janja, com seu estilo, flerta com a tolice. Já Michelle professa um perigoso fundamentalismo religioso.
Enquanto Janja parece ridícula, com seus desvarios protocolares, Michelle, assustadora, parece uma espécie de "aiatolá" evangélico. Construindo uma proposta Teocrática. Eis o busílis.
Finalmente, os modelos mentais, de ambos os líderes "mitológicos" guardam correspondência.
Bolsonaro representa o corporativismo militar ressentido, órfão das prebendas do poder.
Lula seria o "mito" do sindicalismo, igualmente corporativista, oriundo dos privilégios do Estado Novo varguista, financiado com o imposto sindical.
Ao fim, e ao cabo, parecem farinha do mesmo saco. E há muitos que gostam.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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