Ordem do Dia 03/09/25
Na coluna Ordem do Dia, o historiador, advogado e cientista político Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Em que pese a fala de Nicolás Maduro, de que 8 navios de guerra dos EUA estariam cercando a Venezuela, não haveria confirmação desse fato.
Tampouco, o porta-aviões Gerald Ford estaria a caminho daquele país. Capaz de transportar 90 aviões e helicópteros, esse porta-aviões, da classe "Nimitz", seria o maior dos EUA.
Descontado o exagero, de fato há navios de guerra no mar do Caribe, inclusive um submarino, e já fizeram o primeiro ataque: afundaram um barco e mataram 11 pessoas. Supostamente, narcotraficantes. Mas não há provas do narcotráfico.
Considerando que com frequência os EUA cometem esse tipo de erro, a ponto de realizarem uma guerra com o Iraque sob falso pretexto, há a possibilidade de sangue inocente ter sido derramado. E essa possibilidade, de modo algum, intimida o governo Trump.
Classificada como tendo um governo de narcotraficantes, pelos EUA, e considerada com um governo ilegítimo, pelo Brasil, além de diversos outros países, a Venezuela se encontra sob grande pressão.
E sob efetivo ataque. O que se discute, hoje, seria sua dimensão.
Não se tem notícias de uma força tarefa dos EUA destinada a invadir a Venezuela. Longe disso. A invasão do Panamá, por exemplo, que representa uma fração da Venezuela, e que mal tinha um Exército à época, contou com forças muito mais expressivas.
Uma rápida pesquisa informa que, além de seis diferentes embarcações de ataque, um número desconhecido de navios de apoio participaram da força-tarefa.
Que também teria contado com 300 aeronaves, 200 veículos de combate e 24 mil homens. Logo, uma invasão estaria descartada no momento.
Mas isso não significa que os vasos de guerra disponíveis sejam desprezíveis. Submarinos são uma presença incerta. E dois ou três deles, com propulsão nuclear, seriam suficientes para colapsar a Marinha venezuelana.
Os demais navios disponíveis possuem centenas de mísseis, capazes de afundar qualquer coisa que navegue. Ou derrubar qualquer tipo de avião. Portanto, não devem ser subestimados.
De tudo isso remanesce o óbvio: qualquer enfrentamento militar, na América do Sul, seria prejudicial à região, em especial ao Brasil.
E nos coloca numa situação inédita, diante de uma crise de proporções desconhecidas. Enfrentando os amalucados dos EUA e os traidores do Brasil, simultaneamente. E com um governo despreparado para a missão. Tá danado.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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