Guerra dos Mundos: 20 anos depois, filme se torna clássico moderno de ficção
Um dos maiores trunfos do filme reside na sua capacidade de evocar uma sensação de terror genuíno
Em 29 de junho de 2005, Steven Spielberg nos entregava sua visão de "Guerra dos Mundos", aterrorizando o público com a iminente invasão alienígena.
Duas décadas depois, revisitando o filme que, apesar de não ter sido unanimemente aclamado em seu lançamento, consolidou-se como um marco no cinema de ficção científica por explorar tão bem dentro deste gênero o medo e a resiliência humana.
O terror da invasão e o espetáculo visual
Um dos maiores trunfos de "Guerra dos Mundos" reside na sua capacidade de evocar uma sensação de terror genuíno.
Spielberg opta por uma abordagem mais sombria e visceral, distanciando-se do otimismo de outros filmes de invasão alienígena, como "Independence Day" (1996), por exemplo.
A destruição em massa e o caos generalizado são retratados de forma brutal, colocando o espectador diretamente na perspectiva dos protagonistas, lutando para sobreviver em um mundo em colapso. Os efeitos especiais são, sem dúvida, um show à parte.
Os tripods, com sua imponência e design aterrorizante, são um dos pontos altos do filme. Sua forma orgânica e mecânica, combinada com o som ensurdecedor e distinto que emitem - uma mistura de urro, trovão e guincho metálico - cria uma atmosfera de pânico e impotência que é verdadeiramente assustadora.
A forma como eles emergem do solo, as rajadas de calor que desintegram tudo em seu caminho e a maneira implacável como perseguem os humanos são sequências de tirar o fôlego e que ainda hoje impressionam.
O desempenho de Tom Cruise como um pai descompromissado que se vê obrigado a proteger seus filhos em meio ao apocalipse, é crua e convincente, transmitindo o desespero, o medo e a determinação de um homem comum levado ao limite.
Apesar de suas qualidades, "Guerra dos Mundos" enfrentou críticas, especialmente em relação ao seu final.
Muitos consideraram a resolução abrupta e um tanto quanto anticlimática, diminuindo o impacto do terror construído ao longo da narrativa.
A forma como os alienígenas são derrotados, embora fiel à obra original de H.G. Wells, pareceu uma "saída fácil" para a complexidade da ameaça apresentada. Eu, particularmente, achei decepcionante.
Diálogos com a obra de Orson Welles
É impossível falar de "Guerra dos Mundos" sem mencionar a lendária transmissão radiofônica de Orson Welles em 1938.
A adaptação de Welles, que causou pânico generalizado ao ser confundida com um noticiário real, demonstrou o poder da narrativa.
O filme de Spielberg, embora uma superprodução hollywoodiana, ecoa essa mesma sensação de desorientação e medo coletivo.
Vinte anos após seu lançamento, "Guerra dos Mundos" se mantém como um filme impactante, que cria tensão e terror a partir de eventos catastróficos.
Desde então, as imagens perturbadoras e os sons inconfundíveis dos tripods o transformaram em um clássico moderno da ficção científica.
* João Gabriel Pinheiro Chagas é jornalista e diretor do Jornal da Cidade. E-mail: joaogabrielpcf@gmail.com
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