Guerra dos Mundos: 20 anos depois, filme se torna clássico moderno de ficção

Um dos maiores trunfos do filme reside na sua capacidade de evocar uma sensação de terror genuíno

Jul 7, 2025 - 19:32
Jul 7, 2025 - 19:34
Guerra dos Mundos: 20 anos depois,  filme se torna clássico moderno de ficção
A chegada dos tripods é um dos momentos mais tensos do filme

Em 29 de junho de 2005, Steven Spielberg nos entregava sua visão de "Guerra dos Mundos", aterrorizando o público com a iminente invasão alienígena. 

Duas décadas depois, revisitando o filme que, apesar de não ter sido unanimemente aclamado em seu lançamento, consolidou-se como um marco no cinema de ficção científica por explorar tão bem dentro deste gênero o medo e a resiliência humana.

O terror da invasão e o espetáculo visual
Um dos maiores trunfos de "Guerra dos Mundos" reside na sua capacidade de evocar uma sensação de terror genuíno. 

Spielberg opta por uma abordagem mais sombria e visceral, distanciando-se do otimismo de outros filmes de invasão alienígena, como "Independence Day" (1996), por exemplo. 

A destruição em massa e o caos generalizado são retratados de forma brutal, colocando o espectador diretamente na perspectiva dos protagonistas, lutando para sobreviver em um mundo em colapso. Os efeitos especiais são, sem dúvida, um show à parte. 

Os tripods, com sua imponência e design aterrorizante, são um dos pontos altos do filme. Sua forma orgânica e mecânica, combinada com o som ensurdecedor e distinto que emitem - uma mistura de urro, trovão e guincho metálico - cria uma atmosfera de pânico e impotência que é verdadeiramente assustadora. 

A forma como eles emergem do solo, as rajadas de calor que desintegram tudo em seu caminho e a maneira implacável como perseguem os humanos são sequências de tirar o fôlego e que ainda hoje impressionam. 

O desempenho de Tom Cruise como um pai descompromissado que se vê obrigado a proteger seus filhos em meio ao apocalipse, é crua e convincente, transmitindo o desespero, o medo e a determinação de um homem comum levado ao limite. 

Apesar de suas qualidades, "Guerra dos Mundos" enfrentou críticas, especialmente em relação ao seu final. 

Muitos consideraram a resolução abrupta e um tanto quanto anticlimática, diminuindo o impacto do terror construído ao longo da narrativa. 

A forma como os alienígenas são derrotados, embora fiel à obra original de H.G. Wells, pareceu uma "saída fácil" para a complexidade da ameaça apresentada. Eu, particularmente, achei decepcionante.

Diálogos com a obra de Orson Welles
É impossível falar de "Guerra dos Mundos" sem mencionar a lendária transmissão radiofônica de Orson Welles em 1938.

 A adaptação de Welles, que causou pânico generalizado ao ser confundida com um noticiário real, demonstrou o poder da narrativa. 

O filme de Spielberg, embora uma superprodução hollywoodiana, ecoa essa mesma sensação de desorientação e medo coletivo. 

Vinte anos após seu lançamento, "Guerra dos Mundos" se mantém como um filme impactante, que cria tensão e terror a partir de eventos catastróficos. 

Desde então, as imagens perturbadoras e os sons inconfundíveis dos tripods o transformaram em um clássico moderno da ficção científica.

* João Gabriel Pinheiro Chagas é jornalista e diretor do Jornal da Cidade. E-mail: joaogabrielpcf@gmail.com 

 

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