Editorial 23/10/25

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Out 23, 2025 - 16:22
Out 23, 2025 - 16:30
Editorial 23/10/25

Compras emergenciais: o risco da exceção virar regra em Poços

O questionamento do vereador Tiago Mafra (PT), através de pedido de informações, sobre a morosidade administrativa e o uso excessivo de compras emergenciais pela Prefeitura toca em um ponto crucial da gestão pública: a efetividade do planejamento versus a tentação do atalho. 

A compra emergencial, por sua natureza administrativa, é um mecanismo legal criado para atender a situações imprevistas e urgentes, onde a burocracia do processo licitatório regular comprometeria o interesse público - como um desastre natural ou a necessidade imediata de insumos de saúde, como ocorreu na pandemia de Covid-19 ou ainda na eventualidade da falta de medicamentos na Farmácia Municipal, por exemplo. 

O motivo de uma administração optar por priorizá-la reside justamente na rapidez que ela oferece, ignorando os prazos estendidos de uma licitação comum. 

Contudo, quando essa exceção se torna rotina, ela sinaliza uma falha grave de planejamento. Administrações que recorrem de forma exagerada às compras emergenciais demonstram incapacidade de prever demandas, gerenciar estoques ou iniciar licitações com a antecedência devida. 

O alto custo da rapidez é a redução da transparência e da competitividade, abrindo margem para preços mais altos e questionamentos sobre o uso responsável do dinheiro do contribuinte. 

A denúncia apresentada pelo vereador dando conta de que os pregões estão demorando para ser homologados após a declaração dos vencedores, o que gera uma lentidão na finalização dos processos de compra e, consequentemente, no abastecimento de insumos e produtos que a Prefeitura precisa para manter os serviços funcionando, preocupa e sinaliza que algo está errado e precisa ser corrigido. 

Tanto que foi solicitado um relatório do período entre 2023 e 2025 para saber com mais exatidão a quantidade de vezes que essa ferramenta administrativa foi utilizada pela gestão municipal. 

Portanto, é fun-damental que o Executivo retome a prioridade ao planejamento e à licitação regular, garantindo a lisura, a economicidade e a confiança na gestão pública. A urgência deve ser a exceção, nunca a regra. 

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