Editorial 23/07/25

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Jul 23, 2025 - 12:35
Editorial 23/07/25

Limpeza social: problema não deve ser jogado debaixo do tapete

A recente aprovação de requerimento do vereador Diney Lenon (PT), buscando esclarecimentos da Prefeitura sobre supostos encaminhamentos de pessoas em situação de rua para outros municípios, expõe uma situação que começa a ser recorrente em nossa região. 

As denúncias de que indivíduos vulneráveis, incluindo dependentes químicos e pessoas com transtornos psiquiátricos, estariam sendo "removidos" para cidades paulistas, sem vínculos prévios, levantam sérias questões éticas e legais. 

Se confirmada, essa prática pode configurar uma grave violação dos direitos humanos e um descumprimento das diretrizes do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e da Política Nacional de Saúde Mental. 

Essa preocupação é ainda mais intensificada pela recente "Operação Invisíveis" em Pouso Alegre. A operação, deflagrada para apurar a suposta "limpeza social" da população em situação de rua, investiga práticas de remoção que se assemelham às denunciadas em Poços de Caldas. 

Em Pouso Alegre, há indícios de que pessoas em situação de rua estariam sendo coagidas ou transportadas sem consentimento para outras localidades, muitas vezes sem qualquer suporte ou planejamento. 

Esses casos, tanto em Poços de Caldas quanto em Pouso Alegre, trazem à tona a também a questão da aporofobia, o sentimento de aversão, desprezo e repulsa por pessoas em situação de pobreza ou vulnerabilidade. 

A ideia de "remover" esses indivíduos de uma cidade para outra, em vez de oferecer apoio e soluções eficazes, sugere uma tentativa de invisibilizar o problema, transferindo-o para debaixo do tapete. 

Isso não só desumaniza a população em situação de rua, mas também revela uma falha na implementação de políticas públicas que realmente visem à inclusão e ao cuidado. 

É fundamental que a Prefeitura de Poços de Caldas forneça respostas claras e transparentes aos questionamentos do vereador. 

Precisamos saber se há ciência dessas remoções, qual a justificativa técnica, legal e administrativa para tais ações, e se existem registros formais detalhados. 

A dignidade e os direitos da população em situação de vulnerabilidade não podem ser negligenciados em nome de uma falsa sensação de ordem. 

A verdadeira solução passa pela construção de políticas públicas humanizadas e eficazes, que combatam a aporofobia e promovam a reintegração social, e não pelo mero deslocamento de um problema.

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