Editorial 23/01/26

Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade

Jan 22, 2026 - 21:54
Jan 22, 2026 - 22:09
Editorial 23/01/26

O que a população pensa sobre o transporte público em Poços

Na edição de quarta-feira, 21, o Jornal da Cidade publicou em sua edição digital a notícia "Floramar alerta sobre risco de colapso no sistema em Poços", a respeito do transporte público em Poços de Caldas. 

A matéria também foi reproduzida no portal de notícias e postada no Facebook, onde gerou grande repercussão, com mais de 30 mil visualizações e 136 comentários. 

A aprovação do subsídio de R$ 15 milhões para o setor expôs uma ferida aberta na confiança entre a população, a concessionária Floramar e a administração pública. 

Enquanto os números técnicos da empresa alertam para um "colapso no sistema" - com o volume de passageiros despencando para menos de 600 mil mensais -, a voz das redes sociais revela que o usuário não é apenas um dado estatístico, mas um cliente profundamente insatisfeito. 

O cenário é complexo. De um lado, o sistema sofre com o peso das gratuidades que são incorporadas ao valor da tarifa e a inflação dos insumos; de outro, o usuário denuncia ônibus sucateados, falta de linhas, horários reduzidos e um atendimento que beira o descaso. 

Para o cidadão, a conta é simples: se o ônibus demora, está sujo e custa quase o mesmo que uma corrida de aplicativo, a escolha pelo transporte alternativo torna-se inevitável. 

As dezenas de comentários feitos pela população sugerem que o transporte em Poços vive um círculo vicioso. 

A queda no número de usuários é, em grande parte, uma resposta à má qualidade do serviço. Argumentar que o sistema colapsa pela falta de passageiros ignora o fato de que muitos desistiram do ônibus justamente porque ele deixou de ser uma opção digna. 

Propostas apresentadas nos comentários do post, como a municipalização - inspirada nos modelos do DME e DMAE - e críticas à gestão da frota mostram que o debate ultrapassou as paredes da Câmara Municipal e ganhou as ruas e redes sociais. 

O subsídio aprovado em dezembro para manter a tarifa em R$ 5 é um paliativo necessário para evitar o impacto imediato de uma passagem que poderia ultrapassar R$ 8, mas não é uma solução definitiva, pois tem duração de 12 meses. 

O usuário deixou claro: não basta manter o preço se o serviço continuar "sucateado". Assim, sem uma fiscalização rigorosa da execução do contrato por parte da Prefeitura, uma melhoria real nos itinerários e a ampliação da oferta de linhas, o sistema continuará perdendo passageiros para as "motinhas" que podem ser facilmente financiadas nas lojas do ramo e para o transporte por aplicativo, caminhando para um colapso que verba pública nenhuma será capaz de estancar.

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