Editorial 20/10/25

Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade

20 Out, 2025 - 15:20

Troca de farpas é infrutífera e não resolve os problemas de Poços

Os recentes ataques do vice-prefeito Eduardo Januzzi (Novo) ao Ministério Público, acusado de "fazer política", e a dura réplica do promotor Glaucir Antunes Modesto em defesa de sua instituição, compõem um episódio que não precisava ter acontecido. 

É compreensível que, ao ser atacado em sua honra e função, o representante do MP tenha reagido com veemência. 

Afinal de contas, o motivo de toda a discórdia, que é o parecer sobre a anulação definitiva da nomeação do ex-prefeito Sérgio Azevedo (PSDB) para a presidência da DME Participações, se baseou tão somente na legislação em vigor. 

Quem leu o parecer sabe que o trabalho é puramente técnico. Não há elementos de motivação política, ou melhor dizendo, não há nenhum traço de politicagem no documento. 

É preciso dizer que muita gente que milita atualmente na política confunde os conceitos de "política" e "politicagem", como se ambos, pela semelhança ortográfica, fossem a mesma coisa. 

Daí, quando alguém diz que as coisas precisam ser analisadas sem o viés da política, na verdade, querem mesmo é dizer que não se deve fazer politicagem. 

Esse discurso confunde o cidadão, que também passa a achar que as duas coisas são iguais e que todo político só está preocupado com seus interesses. 

Isso só desestimula o cidadão a se afastar da política, o que beneficia os políticos que querem que as pessoas parem de pensar e refletir. 

A troca de farpas pública, acirrando ânimos entre poderes essenciais, revela-se profundamente infrutífera para a população. 

Neste momento, Poços de Caldas tem inúmeros problemas mais importantes para que a sociedade se debruce sobre eles. Reclamações sobre a precariedade de infraestrutura básica em unidades de educação e saúde são recorrentes nas redes sociais. 

Agravando esse cenário, o município vive uma situação de extrema dificuldade orçamentária, com gastos que ultrapassaram com folga o limite prudencial de 95% das receitas e uma despesa que acompanha o crescimento das receitas quase na mesma velocidade. 

É imperativo que as lideranças e instituições voltem seus esforços para a resolução destes problemas. Os embates políticos não podem servir de cortina de fumaça para a inação. 

É hora de baixar o tom e trabalhar em conjunto pelo bem da cidade. O espetáculo das ofensas apenas nos distancia das soluções.

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