Editorial 20/09/25

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19 Set, 2025 - 23:48

Prefeito busca se afastar dos medalhões que o ajudaram a se eleger

O jornalista Rodrigo Costa revelou no programa "Jornal da Manhã", de sexta-feira, 19, uma informação de bastidores que diz muito sobre o momento político da atual gestão municipal, que tem procurado se afastar dos medalhões políticos. 

Segundo ele, o nome do ex-secretário de Saúde e ex-deputado Carlos Mosconi (PSDB) teria sido vetado pelo prefeito Paulo Ney (PSD) para assumir a presidência da Fundação Jardim Botânico. 

O que surpreende na história foi a total falta de habilidade na forma em que o episódio foi conduzido. Mosconi teria sido procurado por um membro da ACIA (Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Poços de Caldas) e, segundo informações de bastidores, aceitou o convite com a expectativa de assumir a função. 

Com a resposta positiva de Mosconi, o "articulador" procurou o prefeito para apresentar a sugestão e o aceite do "candidato" ao cargo. 

Paulo Ney recusou a sugestão. Teria dito que já tinha um nome para o cargo: João Paulo de Lima Braga, coordenador da Divisão de Fiscalização, Saneamento Urbano e Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. 

No entanto, a escolha definitiva sairá de uma lista tríplice de nomes a serem indicados pelo Conselho Curador. 

O que se observa do episódio é como uma articulação mal planejada pode gerar desgaste desnecessário.

Ao invés de primeiro perguntar ao prefeito e dependendo da resposta, procurar o interessado, se fez o caminho inverso, possivelmente, acreditando que jamais um nome de peso como Mosconi seria vetado por um aliado político. 

No entanto, foi justamente o que aconteceu. Mosconi, inclusive, teria ligado para o prefeito para falar sobre o veto. 

O fato é que a insatisfação foi tanta que Mosconi resolveu espairecer e saiu em viagem. Um sinal simbólico de que ele lavou as mãos em relação ao prefeito. 

É preciso reconhecer que se Paulo Ney se elegeu prefeito, há uma considerável participação de Mosconi. Afinal de contas, em abril passado, Paulo Ney estava prestes a desembarcar do PSDB para o União Brasil e foi Mosconi quem bateu o martelo e vetou a saída, possivelmente antevendo uma eventual puxada de tapete no novo partido, que inviabilizaria o que viria a ser a candidatura vencedora. 

Somando-se a esse episódio, vale lembrar que Paulo Ney não citou o ex-prefeito Sérgio Azevedo na carta de despedida do PSDB. Sobre Mosconi, disse na carta que era "referência de diálogo, apoio e compromisso". 

Toda essa movimentação mostra que o prefeito pretende desvincular sua imagem dos medalhões que o ajudaram a vencer a eleição.

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