Editorial 16/01/26
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
Prefeitura precisa criar protocolo para corridas de rua em Poços
O crescimento do pedestrianismo em Poços de Caldas é um reflexo direto de uma mudança de hábitos nacional.
Em 2025, a corrida e a caminhada assumiram a liderança das atividades físicas no Brasil, alcançando 28% da preferência e superando até mesmo a musculação.
Em nossa cidade, essa tendência é visível: em janeiro, já se sabe que o calendário de 2026 prevê, até o momento, 25 provas, superando o ano anterior e consolidando o setor não apenas como esporte, mas como um negócio próspero para seus realizadores.
Entretanto, o boom das corridas de rua não pode estar acima do ordenamento urbano. A realização de uma prova pedestre exige interdições em vias importantes, mobilização de servidores e logística complexa.
Embora a maioria das provas ocorra nas manhãs de domingo, o impacto no Centro e na mobilidade é real, gerando custos para o erário e transtornos para o cidadão comum, que apenas deseja se locomover e se vê diante de desvios e ruas interditadas.
É preciso aprender com o exemplo recente do Parque José Affonso Junqueira. Diante da banalização de festivais que exploravam o espaço público sob o pretexto de oferecer lazer e entretenimento a moradores e turistas, a Prefeitura precisou agir para disciplinar o uso do local.
O resultado foi uma redução drástica - e necessária - da exploração comercial desordenada. Tais eventos, inclusive, eram apontados por comerciantes do setor de bares e restaurantes como predatórios, já que retinham boa parte da clientela formada tanto por visitantes quanto por poços-caldenses.
Além disso, o dinheiro nem sempre ficava em Poços, já que muitos expositores vinham de outras cidades.
Bastou, no entanto, disciplinar o uso do parque para que a situação fosse normalizada, conciliando os interesses de comerciantes, realizadores de eventos e da população.
Voltando às corridas, com o aumento das competições previsto para este ano e a lista ainda aberta, a Prefeitura deve criar, urgentemente, um calendário e um protocolo rígido.
É fundamental definir regras que impeçam a saturação das vias e a banalização desses eventos, garantindo que o interesse privado não se sobreponha ao direito de ir e vir do cidadão.
A prática esportiva é bem-vinda e deve ser estimulada, mas com organização e regramento.
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