Editorial 12/01/26
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
O desafio da mobilidade urbana: onde foi parar o nosso futuro?
A instituição do Conselho Municipal de Mobilidade Urbana, por meio da Lei 10.070, surge menos como uma celebração e mais como uma urgência tardia.
Em uma cidade onde o trânsito estrangula o cotidiano, o novo órgão assume uma missão que vai além de planejar o amanhã: é preciso, primeiro, prestar contas do ontem.
A prioridade zero deste conselho deve ser a auditoria rigorosa do Plano de Mobilidade Urbana encomendado à Unifei em 2018, durante a gestão do prefeito Sérgio Azevedo (PL).
Na época, o investimento de R$ 600 mil foi justificado pela promessa de soluções técnicas e modernas. Quase oito anos depois, o que vemos é um cenário de paralisia. Onde estão os resultados práticos?
Se o plano foi entregue, por que as ruas do Centro continuam saturadas e sem alternativas de escoamento?
Em períodos de feriados prolongados, é impraticável circular de carro pela área central. Como se não bastassem os veículos dos poços-caldenses, o Centro recebe o impacto de centenas de carros de visitantes.
A frota só aumenta, enquanto o espaço físico permanece o mesmo de 30 anos atrás. Não há para onde crescer e, o que é pior, não se sabe exatamente o que fazer.
Recentemente, cogitou-se extinguir a mão dupla na Rua Junqueiras e um trecho da Avenida Francisco Salles, para que as vias passem a ter sentido único (centro-bairro e bairro-centro). Isso minimizaria o problema ou é apenas achismo?
Há ainda a questão da Zona Azul, cujo contrato com a EXP termina neste ano; a Câmara apontou recentemente que cerca de mil vagas de estacionamento deixaram de ser rotativas. Na prática, é menos vagas e menos rotatividade.
A realidade é implacável. A interligação entre as regiões Oeste e Sul permanece no papel, enquanto a transferência do Centro Administrativo para a Zona Oeste - sem o devido suporte viário - sobrecarregou o tráfego na Avenida João Pinheiro, afetando servidores e cidadãos, especialmente nos horários de pico.
Somado a isso, temos o "fantasma" do Monotrilho: uma estrutura obsoleta que fere a paisagem urbana sem que se decida se, de fato, ele ainda tem alguma serventia. E as ciclovias, que sempre são pauta em campanhas eleitorais? Pouco se avançou.
O transporte coletivo padece com menos oferta de linhas e horários, enquanto cresce o número de veículos de aplicativo nas ruas.
O novo Conselho, composto por secretarias municipais e sociedade civil, não pode ser apenas um espaço de debates protocolares.
Ele precisa questionar por que uma "pequena fortuna" em dinheiro público não se traduziu em fluidez. Poços de Caldas não pode mais aceitar que planos caros mofem na gaveta enquanto a cidade para.
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