Editorial 08/01/26

Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade

Jan 7, 2026 - 22:40
Editorial 08/01/26

Mato cresce na mesma velocidade do desgaste da gestão

Responda rápido: qual demanda é mais urgente hoje em Poços de Caldas? Saúde, educação, mobilidade, segurança ou custo de vida? 

Qualquer uma delas poderia figurar no topo, mas não seria surpresa se muitos respondessem que é a limpeza urbana. 

Desde o início do período das chuvas, as reclamações sobre o mato alto em terrenos e calçadas tornaram-se recorrentes. 

Embora pareça um problema menor em comparação a outras pautas, a zeladoria funciona para o cidadão como um termômetro da eficiência do trabalho de uma Prefeitura. 

Na gestão do prefeito Sérgio Azevedo (PSDB), por exemplo, diante da falta de grandes obras ou ações de governo, esse artifício foi muito bem explorado, dando a impressão de que a cidade estava bem cuidada e que as coisas funcionavam. Os índices de aprovação de sua gestão, inclusive, se devem muito a esta estrategia. 

Mas agora, o cenário é de uma gestão que parece perder a batalha para a vegetação, que invade calçadas e até as pistas de rolamento em todas as regiões da cidade. 

A justificativa das chuvas não convence, pois elas são uma constante sazonal sempre nestes mesmos períodos do ano. 

O que espanta é que as equipes de limpeza urbana são praticamente as mesmas de anos anteriores e a cidade não cresceu geograficamente a ponto de justificar tamanha ineficiência. Por que antes não se via tanto descaso? 

Enquanto o Executivo divulga cronogramas "permanentes" de limpeza, com direito a "planejamento semanal" e "atendimento de demandas dos moradores", a percepção real é de abandono. Mato alto é sinônimo de descuido e desleixo. 

E como exigir que o cidadão cuide de sua calçada se a Prefeitura gasta R$ 6 milhões para reformar calçamentos no Centro, beneficiando prioritariamente uma área nobre? Esse contraste fere o senso de equidade e desmoraliza a fiscalização, ainda que ela seja legal e legítima. 

Vale reforçar que o mato não cresce apenas nos buracos das calçadas, mas também no asfalto, onde não há como esquivar-se da responsabilidade pública. 

Independentemente do motivo da inoperância, a Prefeitura não deveria permitir que sua imagem fosse para o ralo por conta de uma questão de manutenção básica. Com a palavra, o secretário de Serviços Públicos.

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