Editorial 02/04/26

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Abr 2, 2026 - 09:50
Abr 2, 2026 - 09:51
Editorial 02/04/26

O risco do PL em manter a candidatura de Sérgio Azevedo

A chapa do Partido Liberal (PL) para deputado federal em Minas Gerais enfrenta um impas-se técnico devido à pré-candidatura de Sérgio Azevedo. 

O ex-prefeito teve contas rejeitadas pela Câmara Municipal e tem seu nome vinculado a problemas na gestão de recursos no Fundeb, fruto de uma CPI em andamento na Câmara Municipal, e ainda ao polêmico convênio com a Santa Casa de Salto de Pirapora.

Essa condição jurídica impõe obstáculos objetivos à estratégia da legenda para o pleito. O registro de uma candidatura nessas condições ocorre, frequentemente, sob a categoria sub judice.

Na prática, os votos recebidos por um candidato com registro indeferido não entram no cálculo imediato do quocien-te eleitoral no dia da apuração.

Para o PL, isso significa a possibilidade real de eleger menos deputados do que o total de votos da legenda permitiria.

O congelamento desses votos retira da soma partidária o volume necessário para garantir cadeiras remanescentes, o que prejudica candidatos da chapa que possuem situação jurídica regular.

Existe ainda o risco de anulação definitiva dos votos caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirme a inelegibilidade após o período de votação.

Se Sérgio Azevedo obtiver uma votação expressiva, sua eventual desqualificação posterior obriga a Justiça Eleitoral a realizar o recál-culo total das vagas da bancada mineira.

Esse cenário gera instabilidade na composição da Câmara dos Deputados e retira do partido o excedente de votos que serviria para ampliar sua representação parlamentar. A alocação de recursos do Fundo Eleitoral é outro ponto de atrito.

A direção nacional do PL prioriza investimentos com maior probabilidade de retorno em mandatos confirmados.

Financiar uma campanha sob risco de anulação é uma decisão financeira de alto risco, o que pode levar o partido a reduzir o repasse para o Sul de Minas, priorizando nomes com certidões negativas de débitos e contas aprovadas.

No plano político, a manutenção de um nome com histórico de contas rejeitadas contradiz o discurso de moralidade adotado pelas principais lideranças do partido no Estado, como o deputado Nikolas Ferreira.

A vulnerabilidade jurídica de Sérgio Azevedo oferece munição direta para adversários na campanha eleitoral, vinculando ele a práticas administrativas questionadas pelos órgãos de controle. O prazo para a definição ocorre nas convenções partidárias entre julho e agosto.

Sem uma decisão liminar que suspenda a rejeição das contas, o PL terá de escolher entre assumir o risco de perda de cadeiras ou substituir o candidato para preservar o quociente eleitoral da chapa.

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