Editorial 01/09/25
Trabalhar na Prefeitura deixa de ser atrativo
A Prefeitura abriu recentemente novo processo seletivo, mas a medida, em vez de sinalizar fortalecimento do serviço público, escancara um problema estrutural que já não pode mais ser ignorado: a incapacidade do município de reter servidores concursados. O quadro é alarmante.
A cada edital publicado, aumenta a estatística de desistências e pedidos de exoneração pouco depois da posse, revelando um círculo vicioso de recrutamento ineficaz e desperdício de recursos.
As causas são conhecidas e repetidas pelos próprios servidores: salários defasados, que não competem com o setor privado nem com administrações vizinhas; assédio moral, fruto de uma cultura organizacional atrasada e autoritária; sedes de trabalho afastadas, dificultando deslocamentos; e condições materiais precárias, que inviabilizam o desempenho digno das funções.
Não se trata de problemas pontuais, mas de um conjunto de fatores que tornam o ambiente hostil e pouco atrativo para quem ingressa no serviço público com expectativa de estabilidade e respeito.
O resultado é perverso: o município perde profissionais qualificados que poderiam contribuir para o fortalecimento das políticas públicas, enquanto a população segue refém da instabilidade e da descon-tinuidade dos serviços.
A cada servidor que abandona o cargo, abre-se uma lacuna que demora a ser preenchida, comprometendo a eficiência da máquina administrativa.
Persistir nesse modelo equivale a insistir no fracasso. É ilusório acreditar que novos processos seletivos, sem mudanças estruturais, resolverão o problema.
Pelo contrário: multiplicam-se custos, frustrações e um sentimento generalizado de descrédito em relação à Prefeitura. É hora de enfrentar a realidade com seriedade.
A valorização do servidor não é capricho, mas condição mínima para garantir a prestação de serviços de qualidade à população.
Sem salário justo, ambiente saudável e condições adequadas de trabalho, nenhum concurso será suficiente para fixar profissionais competentes em Poços de Caldas.
O município precisa escolher entre continuar no improviso - refém de rotatividade e precariedade - ou adotar políticas efetivas de gestão de pessoas, capazes de transformar o cargo público em sinônimo de compromisso e permanência.
Qual é a sua reação?



