Editorial 11/11/25
Confira a opinião de hoje do Jornal da Ccidade
Mutirões substituem a pirotecnia publicitária do Saúde Fila Zero
A saúde pública em Poços de Caldas resolveu adotar o pragmatismo. A recente série de mutirões - Coração (com meta de 4 mil atendimentos), 100 cirurgias de catarata e mais de 400 consultas do Programa Miguilim para crianças - aponta que o foco agora está na entrega concreta de resultados.
Este movimento, visto nos últimos meses, difere do que ocorria na gestão passada. O programa Saúde Fila Zero foi marcado pela pirotecnia publicitária e, apesar de zerar especialidades pontuais, não solucionou a fila de espera crônica.
Pelo contrário: é comum a Ouvidoria da Câmara Municipal, por exemplo, receber demandas de pacientes que estão aguardando por procedimentos desde o ano passado, quando esse programa ainda estava sendo desenvolvido.
Isso para não falar das redes sociais, espaço em que se vê quase que diariamente relatos dos mais diversos sobre espera por atendimentos, como exames, consultas e cirurgias.
Como se constatou quando o Saúde Fila Zero foi lançado, a ênfase no anúncio superava a capacidade de manutenção dos serviços, transformando o programa em uma solução de impacto midiático, e não estrutural.
Em seu primeiro ano, a meta era zerar a demanda reprimida, algo em torno de 50 mil procedimentos, na época.
Dava a impressão que tudo o que havia sido feito até então - pela própria administração municipal - não estava dando certo.
A atual gestão, por sua vez, adota uma estratégia bem mais realista. Ciente das dificuldades financeiras do município, o compromisso é anunciar mutirões e a redução de filas à medida que os procedimentos se tornam efetivamente realizáveis tanto do ponto de vista financeiro como logístico.
Dessa maneira, troca-se o discurso fácil da fila zerada pela ação concreta e sustentável: um caminho menos midiático, mas mais transparente e, principalmente, resolutivo para o cidadão que aguarda por atendimento e que está cansado de ser iludido.
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