A Morte e Outros Mistérios é boa opção para fãs de histórias de detetive
A era de ouro das tramas de mistério "quem matou?" vez ou outra tenta retornar. Seguindo a trilha de sucessos como "Entre Facas e Segredos", a série "A Morte e Outros Mistérios", disponível no Disney+, chega ao streaming bebendo diretamente da fonte de Agatha Christie.
A ambientação luxuosa e o clima de isolamento remetem imediatamente a clássicos como "Assassinato no Expresso do Oriente" e "Morte no Nilo", mas com uma roupagem contemporânea e uma dose generosa de plot twists.
Protagonismo e memória
O grande destaque da produção é a atriz Violett Beane. Com uma beleza marcante e forte presença de tela, ela interpreta Imogene Scott, uma jovem que detém uma habilidade crucial para a investigação: a memória fotográfica.
O recurso lembra a dinâmica da série "Unforgettable", permitindo que o espectador mergulhe nos detalhes visuais das cenas de crime através dos olhos da protagonista.
As atuações, de forma geral, sustentam bem o roteiro; o elenco consegue transitar entre o drama e o cinismo exigidos por uma trama onde todos são suspeitos e ninguém é totalmente inocente.
Se Violett Beane é a força visual da série, o veterano Mandy Patinkin (conhecido por "Homeland" e "Criminal Minds") é a sua âncora intelectual.
Ele interpreta Rufus Cotesworth, um homem que já foi considerado o maior detetive do mundo e que agora carrega o peso do desengano e do tempo.
Sua atuação é uma homenagem clara aos grandes detetives da literatura, especialmente ao Hercule Poirot de Agatha Christie.
Mandy entrega um personagem que equilibra a arrogância intelectual com uma vulnerabilidade cansada, evitando que o detetive seja apenas uma caricatura de gênios do passado.
A química de "mestre e aprendiz" que ele estabelece com Imogene é o que move os momentos mais densos da trama, transformando a investigação em um duelo de intelectos e traumas compartilhados.
Entre o mistério e a extensão
A série se divide em 10 capítulos, dedicando um episódio inteiro exclusivamente à exploração das memórias de Imogene.
Este capítulo específico é importante para elucidar os "outros mistérios" que o título sugere, indo além do crime principal.
O figurino e a cenografia são deslumbrantes, com menção honrosa para os trechos onde a ação se estende a Malta.
Na reta final, os espectadores notarão ainda referências visuais que remetem ao clássico "Titanic", o que alimenta a nostalgia do público, já que a maior parte da trama se passa dentro de um transatlântico, onde ocorre a morte que é o gancho inicial do roteiro.
Contudo, a série sofre com a duração maior do que o devido. Em diversos momentos, a narrativa parece se arrastar, deixando a sensação de que a história poderia ser contada em menos episódios sem perder a substância.
Além disso, a trama não tem medo de surpreender com mudanças bruscas de rota, o que pode tornar a história um pouco confusa em certos pontos.
Embora a fórmula do detetive brilhante em um ambiente fechado já tenha sido explorada à exaustão, "A Morte e Outros Mistérios" consegue trazer algum frescor ao gênero.
É uma boa pedida para quem sente falta de um bom quebra-cabeça narrativo.
* João Gabriel Pinheiro Chagas é diretor do Jornal da Cidade. E-mail: joaogabrielpcf@gmail.com
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