Violeta de Outono: um mergulho nas profundezas do rock progressivo brasileiro

20 Jan, 2026 - 23:46
Violeta de Outono: um mergulho nas profundezas do rock progressivo brasileiro
A capa, com elementos na cor violeta, remetendo ao nome da banda, já sinaliza o clima introspectivo e melancólico da obra

Em 2023, tomei conhecimento deste álbum homônimo da banda paulista Violeta de Outono. Estava procurando no YouTube por "Tomorrow Never Knows", dos Beatles, e eis que apareceu uma versão tocada por eles. 

Ouvi, gostei muito e resolvi escutar o restante do disco. Trata-se de uma verdadeira pérola, da qual eu nunca tinha ouvido falar até então.

A banda surgiu no fim do regime militar, em 1985, e, como uma violeta, floresceu aproveitando os novos ventos trazidos pela redemocratização do país. 

Apresentava uma sonoridade diferenciada, com elementos de rock progressivo e pós-punk, flertando ainda com pitadas de jazz, música clássica e até mesmo folk, criando uma atmosfera densa e envolvente ao longo das nove canções.

Dá para perceber que o Violeta de Outono bebe na fonte de bandas como Pink Floyd, Yes e King Crimson, mas sem se deixar engessar por essas referências. 

Repare como os teclados têm grande protagonismo, criando verdadeiras "paisagens sonoras". A utilização de instrumentos acústicos e elementos eletrônicos adiciona camadas de profundidade e textura às composições - ponto em que destaco a instrumental "Sombras Flutuantes".

Lançado em 1987, este é o principal trabalho da banda ao longo dos anos. Traz uma sequência de grandes músicas, como "Outono", "Declínio de Maio", "Dia Eterno", "Reflexo da Noite", "Noturno Deserto", "Faces" e, logicamente, a versão de "Tomorrow Never Knows", que me fez chegar ao álbum. 

Cito aqui um trecho de "Dia Eterno", que, para mim, está entre as melhores:

"Silêncio em mim/ Espelhos planos/ Saídas falsas, voo, solidão/ Só esperando/ Vagando em seu olhar/ Tudo é deserto, estranho lugar/ Você sabe/ que não temos tempo/ Dia eterno, noite escura adentro"

O trabalho do Violeta de Outono neste álbum homônimo é espetacular em todos os sentidos. Além da sonoridade já destacada, as letras são introspectivas, carregadas de melancolia, psicodelia e reflexão, explorando temas como a natureza, a passagem do tempo, a existência humana e a busca por significado.

Sem dúvida, um dos principais álbuns do rock brasileiro em todos os tempos e um clássico atemporal.

* João Gabriel Pinheiro Chagas é diretor do Jornal da Cidade

 

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