Robert Redford e a arte da espionagem no cinema

Set 18, 2025 - 16:29
Set 18, 2025 - 16:45
Robert Redford e a arte da espionagem no cinema
Robert Redford e Brad Pitt, em “Jogo de Espiões”: passagem de bastão

A morte de Robert Redford na terça-feira, 16, apenas confirma que sua vasta obra permanece como um legado de todo seu talento e carisma. 

Eu gosto muito de pelo menos três filmes de Redford: "Brubacker" (1980), "Os Três Dias do Condor" (1975) e "Jogo de Espiões" (2001). 

Poderia citar ainda "O Grande Gatsby" (1974), "Todos os Homens do Presidente" (1976) e "A Última Fortaleza" (2001). 

Vou comentar aqui sobre "Jogo de Espiões", disponível no Amazon Prime e dirigido pelo também falecido Tony Scott. Talvez seja meu filme preferido de Redford. 

A obra se destaca não apenas pelo suspense ágil e inteligente, mas também por um simbolismo sutil e poderoso: o encontro de Redford e Brad Pitt, dois dos maiores galãs de Hollywood, em um épico sobre a relação entre mestre e pupilo. 

Na trama, Nathan Muir, um veterano da CIA, precisa orquestrar a missão mais arriscada de sua vida para resgatar seu protegido, Tom Bishop (Brad Pitt), das garras do serviço de inteligência chinês. 

O filme, lançado em um momento de transição geopolítica - o fim da Guerra Fria e a ascensão de novos conflitos globais -, reflete essa nova realidade. 

A Rússia, que antes era o grande antagonista no cinema de espionagem, dá lugar a novos “inimigos”, como os chineses e, de forma premonitória, os árabes (o filme foi rodado antes dos ataques de 11 de setembro, mas já capturava essa nova tensão). 

Vinte quatro anos depois, o filme segue mais atual do que nunca. A interpretação de Redford como o espião pragmático e cínico é magistral. 

Com uma atuação contida, ele revela a complexidade de um homem que dedicou a vida a um jogo sujo e cheio de sacrifícios. 

Sua presença em cena, cheia de carisma e autoridade, lembra o brilho que ele já havia demonstrado em “Todos os Homens do Presidente” (1976).

Embora não seja um filme de espionagem no sentido tradicional, o thriller político sobre o escândalo de Watergate também era pautado por uma tensão constante, com Redford no papel do jornalista Bob Woodward, navegando em um mundo de segredos, fontes ocultas e perigo iminente. 

Os personagens de Redford nesses filmes se assemelham muito por conta da atuação nos bastidores. O mesmo vale para Joe Turner, de "Os Três Dias do Condor", outro clássico do cinema de espionagem, onde Redford interpreta um analista da CIA que lida com textos e teorias e que se vê envolvido numa trama conspiratória. 

Em “Jogo de Espiões”, a presença de Redford ao lado de Brad Pitt é uma espécie de passagem de bastão, onde a velha escola se encontra com a nova. 

Ele personifica a experiência e a frieza de uma era, enquanto Pitt representa o idealismo e a força de uma nova geração. 

A química entre os dois é o ponto alto do filme. Redford deixa um legado de filmes atemporais e a memória de um tempo em que os galãs eram mais do que rostos bonitos; eram lendas.

* João Gabriel Pinheiro Chagas é diretor do Jornal da Cidade 

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