Quem vai ganhar a eleição presidencial, em 2026?
A pergunta acima, normalmente destinada a videntes, é objeto da curiosidade política e eleitoral. Muitos se dedicam, através de especulações, palpites ou “chutes”, a respondê-la.
A Ciência Política, ainda que de maneira imprópria, é vista como meio para se chegar à resposta, através de pesquisas. Entretanto, não seria bem assim.
Erros e acertos pretéritos, cometidos por pesquisas eleitorais de todo tipo, mostram que as “margens de erro”, eventualmente, são bem maiores que as anunciadas por cálculos estatísticos.
A explicação poderia ser simples: variáveis ocultas, despercebidas no equacionamento da pesquisa, se fizeram sentir na escolha eleitoral.
Ou, simplesmente, a volatilidade do eleitorado, comum nos últimos pleitos, compromete os métodos tradicionais de prospecção eleitoral.
E por aí vai. Mesmo as “fotografias”, parciais, de intenções de voto, no momento da pesquisa, podem induzir a erros.
Basicamente, os percentuais de voto, no presente, não significam que se darão no futuro. Mesmo num futuro próximo.
A profusão dos instrumentos digitais, internet, etc., que alteram realidades em horas, traz níveis imponderáveis de adesão eleitoral.
O Instituto de pesquisas “Nexus + (mais) ”, ao qual estamos associados, tem a oferecer um instrumento analítico testado e aprovado, que permite projeções seguras - desde que observadas as cautelas metodológicas de praxe.
Seria o que denominamos “Índice de Viabilidade Eleitoral”, que se aplica individualmente a cada candidato, a partir de números relativos, exclusivamente, a um determinado candidato, seu grau de conhecimento, adesão e rejeição do eleitorado.
Especialmente: o campo neutro, o eleitorado que o desconhece, que poderá ser objeto de convencimento, através de publicidade e marketing.
Esse seria o fator determinante, no tempo. O correto equacionamento dessas variáveis estabeleceria tendências verificáveis.
Um pouco de história melhor dimensiona essa ferramenta. Quando da reeleição do então governador, e atual ministro do Tribunal de Contas da União, Antônio Augusto Anastasia, tivemos a função de coordenar pesquisas, no âmbito de sua reeleição a governador do Estado de Minas Gerais.
Nosso campo de atuação foi o Sul de Minas (segunda região economicamente mais dinâmica e segunda mais populosa do Estado).
Fomos acolhidos pelo saudoso Sebastião Navarro Vieira Filho, emérito deputado federal e estadual, prefeito municipal e Secretário de Estado.
Nos foi cedida parte da sede do PFL (Partido da Frente Liberal, atual União Brasil), na cidade de Poços de Caldas, onde estabelecemos nossa base e formatamos nossa equipe. No que nos auxiliou o empresário e ex-prefeito de Poços de Caldas, Luiz Antônio Batista.
Fizemos pesquisas diárias, meses a fio, em diversos municípios do Sul de Minas, baseados em Poços de Caldas, cobrindo “cidades tipo”, para a projeção do universo sócio-político regional.
No início da campanha eleitoral, as intenções de voto de Anastasia somavam 3%. As de Hélio Costa, seu principal adversário, se aproximavam dos 39%.
Então testamos uma hipótese: qual seria a aceitação dos perfis dos candidatos, medida exclusivamente entre os que afirmavam conhecê-los?
Daí veio a surpresa: mais da metade dos eleitores, que diziam conhecer Hélio Costa, faziam restrições ao seu perfil.
Todavia, mais de 90% dos que diziam conhecer Anastasia o admiravam. A baixa intenção de voto de Anastasia se devia o desconhecimento do candidato e de seu perfil, de todo favorável - e não à eventual rejeição.
A disseminação desse perfil favorável de Anastasia pelo “campo neutro” (os que não o conheciam), que somava mais de 70% do eleitorado, poderia leva-lo à vitória, ainda no primeiro turno.
Já a disseminação das características políticas e pessoais atribuídas a Hélio Costa, por outro lado, o levaria a uma grande rejeição e derrota.
A conclusão foi de que não basta se tornar conhecido, mas “adequadamente” conhecido, tendo em vista o perfil divulgado.
Na seguinte medida: a divulgação, e conhecimento, do perfil atribuído ao candidato Anastasia o levaria a vitória.
O mesmo, em relação à Hélio Costa, o levaria à derrota, como de fato ocorreu. O contraponto seria Fernando Collor de Mello: o perfil divulgado quando de sua candidatura à Presidência da República, o de “caçador de marajás” e governador dinâmico, não correspondia aos fatos.
A estratégia traçada por seu “guru”, do Departamento de Ciência Política da UFMG, Marcos Coimbra, escamoteou a verdade.
Collor não passava de um ex-prefeito biônico, comprometido com a ditadura militar, “playboy” farrista, despre-parado e desequilibrado. Deu no que deu.
Collor passou por um impeachment e hoje amarga a prisão, com diagnóstico de desequilíbrio emocional. Esse foi o fenômeno inicial, seguido de outros (inclusive em disputas corporativas, como eleições em Clubes e na OAB, por exemplo) que engendrou um esforço teórico, analítico e estatístico, denominado “Índice de Viabilidade Eleitoral”.
Que seria uma fórmula, ou algoritmo, que, a partir de determinados indicadores, permite calcular um índice, projetando a “viabilidade eleitoral” dos candidatos em disputa.
O fundamento básico, desse algoritmo, repousa sob um postulado clássico da Ciência Política: num determinado universo eleitoral, as tendências estabelecidas tendem a permanecer as mesmas - e a se expandir nas mesmas proporções - se nada for feito.
O que confirma o ditado popular: “se nada for feito, tudo fica como está”. Daí a necessidade da intervenção do marketing, e da publicidade, devidamente orientados.
Os dados desagregados de diferentes pesquisas, divulgados em janeiro de 2026, registrados publicamente no TSE, nos permite calcular esse índice de viabilidade eleitoral, em relação a diversos candidatos.
É o que faremos e aqui registraremos, para escrutínio de todos, o que no futuro poderá ser devidamente avaliado. Inclusive a alteração desse índice, no tempo, a partir da propaganda eleitoral.
Vejamos:
- Índice de Viabilidade Eleitoral, em janeiro de 2026: Lula: IVE 0,94, Flávio Bolsonaro: IVE 0,93, Tarcísio IVE 1,12, Ratinho: IVE 1,17, Ronaldo Caiado: IVE: 1,32, Zema: IVE 1,33, Aldo Rebelo: IVE 1,79 e Renan Santos: IVE 2,31.
Quanto maior o índice, maior seria a viabilidade eleitoral, teoricamente. Entretanto, esse dado teria que ser conformado no tempo, através de marketing e propaganda.
Vejamos o caso de Zema, por exemplo. Embora lidere o IVE, entre os detentores de mandato eletivo (mesmo com pequena intenção de voto), há considerações a serem feitas.
Isso se dá em razão de dois fatores: o enorme nível de desconhecimento do candidato, por um lado, e sua consistente aprovação entre os que o conhecem, por outro.
Mas ao ser conhecido pelo restante do eleitorado (tem uma taxa de desconhecimento de 52%), como se dará esse processo? Repetiria Collor ou perderia tal como Hélio Costa?
É sabido e consabido que Zema ganhou sua primeira eleição, em Minas Gerais, numa situação bastante parecida.
Mas faz um governo enganoso e disfuncional, iludindo os eleitores mineiros, que não acompanham os números de sua administração.
Zema faz o pior governo da história de Minas Gerais, considerando seu desempenho tanto financeiro quanto administrativo, além de se mostrar limitado do ponto de vista intelectual e político.
Zema realizou a maior dívida da história de Minas. Sozinho, fez mais dívidas que a soma de todos os governadores que o precederam.
E não entregou uma única obra, ou programa, digno de nota. Seria um caso semelhante ao de Collor: pura mentira.
Se conseguir enganar o Brasil, tal como enganou Minas, Zema tem chance de vencer a eleição. Talvez, se eleito for, possa ter o mesmo destino de Collor: impeachment e prisão.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado e cientista político
Qual é a Sua Reação?
Curtir
0
Não Curtir
0
Amei
0
Engraçado
0
Bravo
0
Triste
0
Uau
0



