Ordem do Dia 30/09/25
Na coluna Ordem do Dia, o historiador, advogado e cientista político Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Artigo de autoria das especialistas Kátia Smole e Laura Angélica, publicado na Folha, trata da tramitação do novo Plano Nacional de Educação (PNE).
Especificamente, a preocupação expressa no artigo se refere ao ensino da matemática. As articulistas pedem providências formais quanto à essa disciplina.
Os números catastróficos, do ensino da matemática no Brasil, não precisam ser repetidos. Os rankings oficiais, nacionais e internacionais, dizem tudo.
Num deles, estamos atrás da Etiópia. Uma nação africana bem mais sofrida que o Brasil. Mas que teria reagido melhor.
Entre nossos vizinhos latino-americanos, vamos de mal a pior. Nos seria ainda mais humilhante falarmos do desempenho de japoneses, coreanos, etc.
Este colunista já foi vítima de "terrorismo matemático" na infância, perpetrado por uma professora, na sexta série do Primeiro Grau.
A cruel Ilza Costa, professora de matemática em Pouso Alegre, MG. Uma torturadora de crianças, se divertia destruindo a auto-estima de diversos alunos.
Não conseguiu me reprovar, mas me perseguiu durante todo o ano, promovendo humilhações públicas, o que me levou a mudar de Colégio.
A mesma sorte não alcançou outros muitos colegas, abatidos por essa mulher. Ilza é quase uma lenda, uma história de terror, naquela cidade.
Suas vítimas seriam contadas às centenas, talvez milhares. Me lembro bem, no ano em que escapei, colegas e amigos, além de familiares, foram reprovados por Ilza.
Assim como muitos outros, anos a fio. O mote era sempre o mesmo: "vc sabe quem mais a Ilza bombou?". Seria mais eficaz que a Esfinge, devorando almas infantis.
Certamente, não seria a única. Em cada município brasileiro deve haver casos semelhantes. Nem o tempo nos faz esquecer dos monstros torturadores.
Mais tarde, cursando Lógica do Pensamento Científico, no Ciclo Básico de Ciências Sociais da UFMG, aprendi que matemática não era ciência, mas linguagem.
Sua estrutura seria afeta à lógica formal. Portanto, estaria entre as ferramentas disponíveis para o exercício científico. Nada mais.
Já na FACE-UFMG (Faculdade de Ciências Econômicas), na qualidade de estagiário bolsista, às voltas com o cálculo diferencial aplicado à Teoria dos Jogos, vi a matemática como instrumento de avaliação comportamental. Especialmente em mercados concorrenciais. Um prêmio Nobel derivou dessa perspectiva.
Tempos depois, no Departamento de Ciência Política (UFMG), percebi que a matemática poderia não ser exata, mas até mesmo especulativa e propagandística, através das estatísticas da pesquisa eleitoral.
Logo, uma serva das perversões humanas. Sem qualquer pompa, ou circunstância.
Por qual razão essas características "humanas" da matemática não são apresentadas às crianças? Por que a matemática é apresentada pelos professores, aos alunos, como mais um capítulo do filme de terror "Sexta-feira 13"?
Por ignorância? Por sadismo? Despreparo pedagógico? Crueldade? Desvio de caráter? Patologia clínica?
São muitas as opções.
Necessitamos de transparência não apenas na politica, ou na Administração Pública. Que tal também na matemática? O novo PNE vem aí.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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