Ordem do Dia 18/12/25
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
A expectativa em torno do acordo Mercosul e União Europeia vem carregada de ironias. A principal delas seria que nossa maldição tornou-se uma vantagem. Explico.
Desde o surgimento da "Teoria da dependência", tendo como um dos pioneiros André Gunder Frank, e Fernando Henrique Cardoso como a mais representativa referência nacional, acredita-se que a "divisão internacional do trabalho" nos teria condenado a ser produtores de comodities: produtos primários, agrícolas e minerais.
Essa condição teria como consequência macroeconômica a transferência de renda "da periferia para o centro". Nós estaríamos na periferia da produção econômica.
Transferindo renda. Abastecendo o "centro" da economia mundial com produtos de baixa complexidade tecnológica e com menor valor agregado.
E eles, ao contrário, nos fornecendo produtos industrializados, com alto valor agregado, desse modo garantindo a transferência de renda. Motivada também pela alta produtividade das economias desenvolvidas, ou "centrais".
Esse fenômeno seria conceituado como "deterioração dos meios de troca", resultando em vantagens para as "economias centrais". Em detrimento das "periféricas".
Essa seria a fórmula da economia dependente, ou da "Teoria da dependência econômica". Problema enfrentado pelo Brasil e por outros países "subdesenvolvidos". O clássico embate colonialista, em outros termos.
O fato, agora, seria que os europeus, especialmente os franceses, estão apavorados diante da pujança da economia "atrasada" do Mercosul (Brasil na liderança), capaz de engolir o agronegócio do Velho Mundo.
Chegaram a espalhar esterco nas ruas, em protesto. Espalharam merda para todo lado.
Uma situação curiosa.
A falecida revista humorística "Caceta e Planeta" classificaria a situação como "a vingança do bastardo". Já Geraldo Vandré talvez cantasse: "é a volta do cipó de aroeira, no lombo de quem mandou dar".
Esse possível acordo está sendo costurado há mais de vinte anos. Se fosse bom para os europeus, provavelmente estaria vigente. Pelo visto, não é.
Chega a parecer um "Tratado de Methuen", às avessas (esse tratado garantia o acesso exclusivo de produtos industrializados ingleses a Portugal e colônias).
Mas com termos parecidos, exceto que o Brasil (leia-se Minas Gerais) não entra mais com o ouro. Mas com comodities. Uma diferença relativa, nesses termos, que ameaça derrubar outra Bastilha em Paris.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
Qual é a sua reação?




