Ordem do Dia 15/04/26
Na coluna Ordem do Dia, o historiador, advogado e cientista político
Recentemente, esta coluna abordou a situação surreal em torno da indicação de Messias a ministro do STF.
Com data marcada para ser sabatinado, pelo Senado, "Bessias" reúne apoiadores que vão do pastor "confessor" de Bolsonaro, bispo Rodovalho, a Xandão, Toffoli, Mendonça (o "terrivelmente evangélico"), Gilmar (o "terrível", apenas), além do próprio Lula e toda a claque petista.
Não seria surpresa se, entre esses apoiadores, surgisse padre Kelmon, Roberto Jefferson ou algum outro personagem inesperado.
O perfil religioso do indicado seria um fator que geraria situações extraordinárias, bem como sua qualificação fortemente política e partidária. Desde o governo Dilma, "Bessias" seria figurinha carimbada.
Assim como Toffoli, Messias foge do padrão "notório saber jurídico", previsto na Lei, indo mais no sentido "advogado de uma causa".
Além de se colocar como fervoroso evangélico, que apoia a descriminalização do aborto, o que favorece a prática.
Estranho, vindo de um evangélico, para dizer o mínimo. Teríamos o afloramento de uma "questão religiosa", a exemplo do que ocorreu no Brasil Império?
O surreal, na verdade, tem-se apresentado com frequência nos palcos políticos e jurídicos brasileiros.
Foi noticiada a declaração de impedimento do ministro, do STJ, Benedito Gonçalves.
Em razão do ministro ter participado, juntamente com outras autoridades, de uma das "farras" patrocinadas por Vorcaro e Banco Master.
O "extraordinário", nesse caso, seria a atitude correta de Gonçalves, ao contrário da postura "nem aí" de outros ministros, em condição análoga.
Nessa farra, ocorrida em Londres, supostamente em homenagem a Alexandre de Moraes, teria havido a distribuição de um certo "broche".
Quem o ostentasse, teria direito ao acesso a um determinado recinto, repleto das "meninas" do Vorcaro: belíssimas modelos oriundas do Leste Europeu.
As moças estariam dispostas a discutir uma certa jurisprudência, que dispensaria o uso de togas...
Segundo o site Metrópoles, Xandão teria rejeitado o broche. Estaria na companhia da esposa e bastante satisfeito com o contrato de 130 milhões de reais, amealhado pela patroa.
Outra situação surreal teria sido o "cozido de paca", oferecido por Janja a Lula. A iguaria atraiu a ira de ambientalistas, apoiados até mesmo por Sóstenes Cavalvante, outro pastor deputado, que exigiu investigação do possível "crime ambiental", praticado por Janja. As pacas silvestres são protegidas.
Diante do imbróglio, esclareceu-se: a paca foi presente. E não teria sido o primeiro. Lula, com frequência, recebe a iguaria de um criador: no caso, Emílio Odebrecht, o famoso "amigo", da Operação Lava Jato.
Segundo "O Globo", na pessoa do colunista Lauro Jardim, não houve a necessidade de uma "operação estruturada" para tanto. As pacas fluem normalmente em direção ao Planalto.
De fato. Como sabido e consabido, a história, quando se repete, dá-se sob a forma de farsa. Principalmente quando conta com a proverbial indiscrição de Janja.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
Qual é a sua reação?


