Ordem do Dia 13/11/25
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Há os que acreditam na racionalidade humana. Especialmente na racionalidade do comportamento político.
Uma antiga obra de um emérito cientista político, Fábio Wanderley Reis, tratou desse assunto.
"Política e racionalidade", em que pese o rigor analítico e metodológico de um acadêmico egresso da universidade de Harvard, seria uma obra que partiria de um postulado fundamental: de que a racionalidade determinaria opções políticas. Talvez não, necessariamente. Esse seria um postulado apenas em parte verdadeiro.
Há uma análise corrente, na grande imprensa, afirmando que Bolsonaro seria um "fardo" para a direita. E que, ao emancipar-se do bolsonarismo, a direita brasileira poderia assumir caminhos "virtuosos", democráticos e competitivos. Racionais, portanto.
Tal como diriam em Harvard: "Bull shit" (conversa fiada). Parece ingenuidade acreditar que o comportamento do movimento bolsonarista seria determinado pela racionalidade.
A "teoria da escolha racional", prestigiada por alguns dos mais respeitados pensadores, orientou a "teoria dos jogos" e logrou receber um Prêmio Nobel, sob Jonh Nash. Mas isso não se aplicaria ao movimento bolsonarista. Nem tampouco à extrema direita.
Esses movimentos são anti-sistêmicos. E, como tais, prendem-se muito mais a conteúdos simbólicos, estéticos e ideológicos. Cuja doutrina fundamentalista é refratária a argumentos racionais.
Prova disso seria o comportamento politicamente suicida de Eduardo "bananinha", ao contrariar interesses econômicos nacionais, ou o cálculo político enviesado de Bolsonaro, que lhe abriu as portas da prisão. Não adianta culpar o Xandão.
Os bolsonaristas, auto intitulados de "patriotas", exibiriam um comportamento amalucado, negacionista, irracional. Centenas deles foram para a prisão, bem antes de Bolsonaro, justamente por praticarem tais características em ações públicas. Típicas de uma seita ululante.
A exemplo de outras "congregações" parecidas, posicionadas à esquerda do espectro político.
Ou alguém pensa que o 8 de janeiro teria sido uma jogada inteligente? Uma turba solta, sem comando e sem destino, praticando vandalismo, atacando instituições e fazendo provas contra si mesmos?
Com a derrocada de Bolsonaro, seus seguidores não irão se converter a eventuais princípios democráticos do sistema político. Tampouco irão aderir ao sistema político, racionalmente orientado.
Irão, ao contrário, aguardar a próxima oportunidade de bradar, e praticar, o célebre adágio: "fogo em Roma, morte aos infiéis!".
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
Qual é a sua reação?






