Est é como um dia nublado que se torna agradável
Trabalho transita entre o dream pop, a psicodelia e o pós-punk com uma roupagem indie e moderna
Escutei dias atrás um álbum lançado em 2016 que considero dos mais interessantes lançados no Brasil nos últimos tempos. "Est", lançado pelo Selo 180, é fruto do encontro musical entre Edgard Scandurra (guitarrista do Ira!) e Silvia Tape (cantora e baixista do grupo Mercenárias).
Longe de ser apenas um projeto de rock que remete ao espírito oitentista, o disco apresenta uma sonoridade moderna, orgânica e contemplativa, explorando a fusão de influências dos dois artistas.
Sobre o álbum
O trabalho transita principalmente entre o dream pop, a psicodelia e o pós-punk com uma roupagem indie e moderna.
Ao longo das faixas, observa-se uma sonoridade muitas vezes etérea e onírica, graças às texturas de guitarra de Scandurra e ao vocal sussurrado e doce de Silvia Tape.
Pesquisando sobre o álbum, descobri que ele nasceu da intenção inicial de Scandurra em gravar um disco instrumental.
A chegada de Silvia Tape, com seu timbre de voz diferenciado e a habilidade para escrever letras, adaptou e enriqueceu o conceito pensado inicialmente, transformando-o em um trabalho de rock mais abrangente e poético. Scandurra toca a maioria dos instrumentos.
A voz de Silvia Tape acaba encaixando-se perfeitamente no painel sonoro criado por Scandurra. Inclusive, Silva tem um timbre de voz que lembra outra grande cantora, Tiê.
Faixas
A faixa que eu mais gostei é "A Sua Intuição", que abre o álbum trazendo uma vibração noturna e eletrônica, remetendo a algo dos anos 1990.
Outra faixa importante é "Asas Irreais", que muitos consideram a melhor do álbum, destacando-se pelos timbres da guitarra e pela bateria marcante, em contraste com a suavidade vocal de Silvia Tape.
Não dá para deixar de falar também de "Num Instante Qualquer", uma das poucas em que Scandurra assume os vocais e que apresenta um dos seus solos de guitarra mais longos.
"Est" tem como grande mérito a capacidade de Scandurra de se reinventar fora de sua banda de origem.
O disco é um trabalho bem estruturado, conceitual e que apresenta uma modernidade cosmopolita, mas que também exibe uma doçura por conta da participação vocal de Silvia Tape.
Apesar da atmosfera do álbum se parecer mais com um dia nublado e acinzentado, "Est" não deixa de ser um trabalho inesperado e simpático, que mostra Edgard Scandurra em um ótimo trabalho em projeto paralelo, ao lado de Silvia Tape, que adiciona uma camada de poesia e um timbre vocal marcante à sua sonoridade psicodélica e contemplativa. Vale a pena conhecer.
* João Gabriel Pinheiro Chagas é diretor do Jornal da Cidade
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