Editorial 29/01/26
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
Como a falta de planejamento pode impactar a rede municipal de saúde
A situação da Estratégia Saúde da Família (ESF) Santa Ângela não é apenas um gargalo operacional isolado; é o retrato de um colapso anunciado.
A recente mobilização do Sindserv expõe uma realidade alarmante: cerca de 60% da demanda atual da unidade provém de bairros que sequer pertencem ao seu território original.
O que se observa é uma unidade operando muito além de sua capacidade, onde o "caráter emergencial" virou regra e o planejamento técnico, a exceção.
Este cenário crítico revela que o problema vai muito além de uma estrutura física ineficiente. A sobrecarga sufocante no Santa Ângela é o sintoma de uma grave falha de planejamento estratégico da Prefeitura.
Ao permitir que bairros como Vitória I, II, III e Morumbi sejam "absorvidos" por uma estrutura já onerada, sem a devida contrapartida de ampliação, a gestão municipal ignora o crescimento óbvio da densidade populacional na região.
Saúde pública de qualidade exige cálculo demográfico e logística rigorosa; não pode ser gerida através de improvisos que se arrastam por cinco anos. Ou seja, houve tempo mais do que suficiente para que providências tivessem sido tomadas, visando impedir exatamente esta situação.
Ao não investir na criação de novas unidades ou na formação imediata de novas equipes de Saúde da Família para atender essas áreas adscritas de forma irregular, o Executivo cria um efeito dominó perigoso.
A sobrecarga de uma única unidade drena a qualidade do serviço, exaure os servidores e, invariavelmente, empurra a pressão para o restante do sistema municipal.
O resultado é o sacrifício da prevenção - pilar fundamental da Atenção Básica - em prol de um atendimento que se limita a "enxugar gelo".
É imperativo que a administração municipal reveja, com urgência, o planejamento da Atenção Básica. Ignorar a saturação da ESF Santa Ângela e a defasagem no número de Agentes Comunitários de Saúde é negligenciar o direito constitucional à saúde do cidadão poços-caldense.
O município necessita de novas estruturas e reforço no quadro de servidores o quanto antes. Caso contrário, o banner de contagem de dias com servidores reduzidos afixado pelo sindicato na unidade não será apenas um protesto, mas a comprovação de uma gestão que assistiu ao agravamento do problema e optou pela inércia.
Qual é a Sua Reação?
Curtir
0
Não Curtir
0
Amei
0
Engraçado
0
Bravo
0
Triste
0
Uau
0



