Editorial 26/11/25
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
Prefeitura minimiza crise sobre atrasos no convênio da saúde
A saúde em Poços de Caldas vive um impasse grave.
Médicos que prestam serviço ao município pelo convênio emergencial assinado com a Santa Casa anunciaram na segunda-feira, 24, a paralisação dos serviços eletivos (fichas azul e verde) para hoje, 26, mantendo apenas atendimentos de urgência e emergência, em razão do reiterado atraso no pagamento - problema que, segundo a categoria, acontece desde o final de 2024, quando a prestadora de serviços ainda era a Santa Casa de Salto de Pirapora, com a Prefeitura regularizando os pagamentos sempre que os profissionais sinalizavam que iriam botar a boca no trombone.
A própria Santa Casa confirmou em uma nota na segunda-feira que a situação decorre do atraso no repasse de recursos pela Secretaria Municipal de Saúde, fator tido como "fora do controle administrativo" do hospital.
O mais alarmante é a evidente mudança no tom oficial da Prefeitura. Ainda na segunda-feira, a gestão admitiu um "atraso pontual" na primeira nota divulgada à imprensa.
Contudo, em uma segunda nota, divulgada ontem à tarde e desta vez assinada em conjunto com a Santa Casa - em clara tentativa de minimizar o problema e criar uma narrativa de estabilidade -, a crise foi drasticamente minimizada.
O atraso se tornou um "breve descompasso no fluxo de caixa" de novembro, causado por um feriado prolongado, no caso, o Dia da Consciência Negra, comemorado na quinta-feira, 20.
Essa nota conjunta, que nega a ameaça de suspensão e afirma que os pagamentos estão sendo realizados "rigorosamente em dia", entra em choque direto com a comunicação prévia da própria Santa Casa e dos médicos no dia anterior.
Nas redes sociais, o posicionamento oficial gerou forte crítica, com comentários na postagem do Instagram questionando a versão da Prefeitura e a falta de transparência sobre os pagamentos aos profissionais que atendem pelo convênio.
A população percebeu a manobra e não poupou críticas aos gestores. É urgente que a Prefeitura abandone o discurso de negação da realidade e garanta as condições mínimas de dignidade aos profissionais. Quem trabalha, quer receber em dia. Seja ele o assalariado ou o médico.
As notas da Prefeitura mostram de forma bastante clara que o que se buscou fazer foi uma tentativa deliberada de acobertar, minimizar ou distorcer a gravidade da situação para convencer o público que o problema é menos grave do que realmente é, ou de que não há culpa por parte dos envolvidos. Ninguém mais é tão ingênuo assim em Poços de Caldas.
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