Editorial 23/09/25

Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade

23 Set, 2025 - 12:30

O que esperar da nova CPI do Centro Administrativo?

Ontem, 22, aconteceu a primeira reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Centro Administrativo de Poços de Caldas, na Câmara Municipal. 

Além da escolha dos ocupantes dos cargos, a instalação da CPI teve como destaque a aprovação de um requerimento que visa a contratação de uma auditoria independente e especializada para apurar de forma técnica e imparcial, afastando qualquer viés político ou pessoal, a polêmica obra iniciada na gestão do ex-prefeito Sérgio Azevedo (PSDB). 

Desde quando o projeto foi anunciado, ainda em 2023, muito se falou sobre vários pontos, como o custo da obra, a legalidade sobre a permuta do Complexo Santa Cruz para custeio de parte do projeto, os aditivos contratuais ao longo do empreendimento, a falta de estudo de impacto no trânsito da Avenida João Pinheiro e até mesmo a funcionalidade e acessibilidade da nova estrutura. 

Desde quando o novo prédio foi inaugurado, no segundo semestre do ano passado, questões relacionadas à qualidade dos materiais utilizados passaram também a pipocar. 

Não raro, era comum viralizar nas redes sociais vídeos e imagens de goteiras, trechos interditados, entre outros problemas estruturais. 

Havia ainda reclamações como calor excessivo e falta de ar condicionado. Diante de tantos problemas, não era difícil chegar à conclusão de que a obra teria sido feita às pressas, visando, evidentemente, aproveitar a campanha eleitoral. 

É a principal obra de oito anos da gestão passada e se por um lado ela é importante por centralizar o comando municipal em um só local, por outro lado gera reclamações sobre dificuldade de deslocamento até a Zona Oeste e também de acessar serviços municipais oferecidos no espaço.  

Diante do volume de dinheiro público empregado no empreendimento, a apuração técnica via auditoria é o caminho mais adequado para dirimir quaisquer dúvidas que ainda pairem sobre o projeto. 

A análise não deve se limitar a contratos e aditivos, mas se aprofundar na compatibilidade dos valores pagos com os serviços realizados e ainda na interdependência entre a nova obra e o antigo Complexo Santa Cruz. 

Assim, a complexidade do projeto, o elevado custo e as repetidas dúvidas levantadas pela imprensa e pela sociedade civil exigem um escrutínio meticuloso para que a população não fique com a sensação de mais uma investigação terminada em pizza.

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