Editorial 20/03/26
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
Déficit de profissionais compromete expansão de vagas na rede
Em resposta à Câmara, a Secretaria Municipal de Educação apresentou dados que indicam a abertura de 2.117 novas vagas em creches e pré-escolas nos primeiros meses de 2026.
O número supera o total de 1.474 matrículas disponibilizadas em todo o ano de 2025. Apesar do crescimento quantitativo de postos de ensino, a gestão pública enfrenta dificuldades estruturais que impedem o atendimento pleno da demanda e a manutenção da qualidade pedagógica.
A persistência de filas de espera e a carência de professores especialistas e supervisores revelam um descompasso entre a infraestrutura física e o quadro de pessoal.
O detalhamento enviado à Câmara Municipal mostra que o maior volume de novas vagas em 2026 está concentrado no Jardim I, com 537 postos, e no Berçário 2, com 408. A administração admite que a distribuição é desigual.
Existem unidades com salas ociosas no Maternal enquanto outras registram demanda reprimida em bairros vizinhos.
A estratégia da pasta para resolver o impasse inclui a conversão de salas vazias e o uso de convênios com Organizações da Sociedade Civil, que somam 446 vagas e recebem repasses como o de R$ 1,08 milhão anuais destinados ao centro Dom Pimpolho.
Entretanto, o aumento de vagas físicas ocorre em um cenário de esvaziamento das equipes escolares. O requerimento nº 863/2026, apresentado pelo vereador Tiago Mafra (PT) nesta semana, aponta que a falta de profissionais é um problema recorrente desde 2025.
Há registros de ausência de professores em disciplinas como Língua Portuguesa, Matemática, Ciências e Educação Física, além de falta de suporte pedagógico e supervisores.
A Prefeitura realizou concurso público e processo seletivo recentemente, mas ainda não há dados que comprovem se tais medidas serão suficientes para suprir as vacâncias definitivas e os afastamentos temporários por licenças de saúde.
A situação indica que o planejamento da Secretaria de Educação prioriza a entrega de vagas, mas ainda há o desafio da regularização do quadro de servidores.
A abertura de novas unidades, como o CEI Sonho e o novo berçário no CEI Dona Mariinha, exige não apenas prédios, mas profissionais habilitados para o exercício docente e técnico.
Sem o preenchimento das lacunas no suporte pedagógico, a expansão da rede corre o risco de se tornar apenas uma medida estatística, sem o respaldo necessário para o desenvolvimento dos alunos.
A regularização do atendimento depende da agilidade em nomear aprovados nos certames e em organizar a logística de substituições.
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