Editorial 18/12/25
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
O enorme desafio fiscal que Poços tem pela frente
Poços de Caldas sempre foi o cartão-postal e um dos motores econômicos mais importantes do Sul de Minas.
Ostentar um dos maiores PIBs da região é motivo de orgulho, mas o recente levantamento sobre a saúde financeira dos municípios revela que a pujança econômica não é, necessariamente, sinônimo de contas equilibradas.
O sinal de alerta aceso pela pesquisa é claro: o município vive o paradoxo de ser rico na produção, mas fragilizado em sua gestão fiscal.
Se cada morador de Poços tivesse que pagar uma parte da dívida, esse valor corresponderia a R$ 2,7 mil por habitante.
No caso de Extrema, o valor é de apenas R$ 6 e em Pouso Alegre, o quinhão é de R$ 487 por morador. Alguma coisa, certamente, está errada.
A dívida que assombra o caixa municipal não é fruto de um evento isolado, mas sim do acúmulo de escolhas administrativas equivocadas especialmente ao longo dos últimos oito anos.
Entre as causas, destaca-se o inchamento da máquina pública e o peso crescente do passivo previdenciário, um fantasma que drena recursos que deveriam ir para investimentos diretos.
Além disso, a manutenção de uma infraestrutura urbana complexa e o custeio de serviços de alta demanda pressionam um orçamento que parece ter atingido o seu limite de elasticidade.
Gastar no teto da arrecadação deixa a cidade vulnerável a oscilações econômicas. Em outubro, durante a apresentação do plano de reequilíbrio financeiro, o prefeito Paulo Ney (PSD) fez uma revelação alarmante: naquele momento, Poços de Caldas já havia atingido 101% de gastos em relação às receitas, quando o teto é 95%. Um atestado inequívoco do colapso das contas municipais.
Para reverter esse cenário, é fundamental que a administração municipal adote uma postura de austeridade real.
O caminho exige coragem política para auditar contratos, modernizar a arrecadação e, sobretudo, enfrentar a dívida municipal com transparência.
A busca por parcerias público-privadas (PPPs) para a manutenção de infraestrutura e serviços pode ser uma saída para oxigenar a administração. Mas há ainda muito mais a se fazer.
Poços de Caldas tem potencial para ser referência em gestão eficiente. No entanto, para que o brilho do seu PIB não seja ofuscado pelo peso do endividamento, a responsabilidade fiscal deve deixar de ser uma promessa de campanha para se tornar o alicerce fundamental da governança.
A cidade precisa ter um futuro sustentável, onde a riqueza gerada se transforme, de fato, em segurança financeira para as próximas gerações.
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