Editorial 17/01/26
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
Os 10 anos de uma das maiores chuvas da história de Poços
Ao completarmos uma década de um dos episódios mais dramáticos da história de Poços de Caldas, a memória daquela noite de 19 de janeiro de 2016 permanece viva.
Em apenas duas horas, o céu despejou sobre a cidade o volume equivalente a um mês inteiro de chuva - mais de 150 mm que transformaram o Centro em um cenário de destruição, com carros empilhados e lojas devastadas.
O evento evidenciou a imprevisibilidade climática e a vulnerabilidade de uma cidade cortada por ribeirões e córregos, onde a água ganha força avassaladora em poucos minutos.
É preciso lembrar que a engenharia já buscou soluções no passado: a Represa Saturnino de Brito, uma das obras mais vitais do município, foi projetada justamente para conter o ímpeto das águas e proteger o coração da cidade.
Da mesma forma, a Serra de São Domingos atua como uma barreira natural indispensável, retendo a água que, de outra forma, poderia deixar o Centro e as regiões Leste e Oeste submersos.
Por isso, a preservação ambiental não é um luxo, mas uma questão de segurança pública - e não no sentido criminal do termo.
Portanto, não se pode aceitar qualquer desmatamento no nosso maior patrimônio ambiental. Infelizmente, a dor dos comerciantes atingidos na época pela força das águas pluviais tem sido usada como palanque ao longo dos anos.
A exploração política rasteira insiste em retornar, como vimos na campanha eleitoral de 2024. Tragédias não deveriam servir de munição retórica, mas de base para soluções técnicas e que realmente resolvam o problema.
Para evitar que o caos se repita, é fundamental investir em macrodrenagem e sistemas de alerta eficientes.
Não podemos esquecer dos problemas crônicos de alagamento no Jardim Kennedy, que persistem há décadas, atravessando gestões - inclusive do mesmo grupo político que se mantém no poder sem resolver definitivamente a vulnerabilidade daquela comunidade.
O compromisso com a segurança da população deve estar acima de disputas partidárias.
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