Editorial 15/11/25
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
Em cartaz, o teatro do absurdo poços-caldense
Há algo de profundamente teatral - e trágico - na política de Poços de Caldas. Se Nelson Rodrigues pudesse assistir a este primeiro ato do governo Paulo Ney, talvez dissesse: “Toda cidade tem o prefeito que merece - e o drama que escolhe encenar”.
Quase um ano se passou, e o enredo que começou com insultos públicos à imprensa, como o episódio da Rádio Jovem Pan, transformou-se numa sequência de escândalos, improvisos, negações e crises sem fim.
O governo que prometia gestão técnica e transparência foi iniciado rompendo de forma unilateral o polêmico convênio com a Santa Casa de Salto de Pirapora.
Uma auditoria da própria Controladoria da Prefeitura apontou um passivo de R$ 33 milhões ainda a ser pago na Secretária de Saúde, dos quais R$ 17,5 milhões não possuem qualquer empenho, prática que viola as normas da administração pública.
Entre as dívidas, destacam-se pendências com fornecedores e o controverso convênio com a Santa Casa de Salto de Pirapora.
Os problemas persistem: a nova conveniada, a Santa Casa de Poços de Caldas, também já enfrentou atrasos em repasses, que causaram demora na quitação de pagamentos.
A Prefeitura tem uma dívida fundada de cerca de R$ 680 milhões para administrar e as previsões não são nada otimistas: a própria gestão estima que o número deve chegar a R$ 1 bilhão no ano que vem.
Vale ressaltar que quando a gestão anterior assumiu, em 2017, a dívida fundada era de cerca de R$ 92 milhões. Os números não mentem: os últimos oito anos foram de descontrole financeiro e administrativo.
Até o momento, nenhum projeto de lei de fato relevante chegou à Câmara e o TCE-MG já alertou o município sobre a necessidade de um plano de recuperação fiscal.
O prefeito Paulo Ney apresentou em outubro um plano que precisa sair do papel o quanto antes para não configurar que foi apenas uma jogada de marketing político.
Enquanto isso, na Câmara Municipal, três CPIs estão em andamento (Funerária, Fundeb e Centro Administrativo) e não se sabe exatamente ainda quais surpresas devem surgir das investigações. A CPI do Centro Administrativo é a que promete as maiores "emoções".
Os problemas surgem em outras frentes: o DMAE mergulha em escândalos, como a farra das horas extras e o desvio de milhões de reais que uma servidora cometeu nos últimos anos nas barbas dos diretores da autarquia.
A situação de contratos com a Sonner e a empresa de transbordo de lixo, denunciados por vereadores nos últimos dias, são alarmantes. Falta transparência, sobram discursos.
A impressão que se tem é que a gestão administra a cidade no piloto automático, agindo de forma reativa para estancar as crises que surgem quase que diariamente. Não parece haver perspectiva de que a situação mude no curte prazo.
É um verdadeiro teatro do absurdo em versão administrativa, onde o realismo cede lugar ao improviso, e o cidadão-eleitor paga o ingresso mais caro: o da esperança perdida.
Qual é a sua reação?







