Editorial 14/01/26

Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade

14 Jan, 2026 - 10:32

Saída de Sérgio Azevedo do PSDB expõe sangria do partido

A política mineira assiste, com uma mistura de perplexidade e pragmatismo, ao esvaziamento acelerado do PSDB em seus redutos históricos. 

O episódio mais recente - a ida do ex-prefeito de Poços de Caldas, Sérgio Azevedo, para o governo Zema e sua subsequente filiação ao PL - não é apenas uma troca de legenda; é o sintoma de uma sigla que perdeu o controle sobre seus próprios quadros e o diálogo com suas lideranças locais. 

A reação furiosa da direção regional tucana, que nos bastidores fala em "trairagem" e exige o afastamento imediato de quadros que aderirem à gestão estadual, soa como um grito tardio. 

O tucanato estadual irritou-se pelo fato de Sérgio ter aceitado um cargo na assessoria do vice-governador Mateus Simões (PSD) sem comunicar oficialmente sua saída à legenda, à qual esteve filiado nos últimos 15 anos. 

No dia seguinte à posse de Sérgio, ocorrida em 5 de janeiro, o presidente estadual da sigla, deputado federal Paulo Abi-Ackel, divulgou nota deixando claro que o partido não apoiará o projeto de candidatura de Simões ao governo do Estado. 

Abi-Ackel orientou o ex-pre-feito a se afastar, alegando que ele estaria trabalhando por uma candidatura que "não é a nossa". 

No dia 8, Sérgio se filiou ao PL. No entanto, o ex-prefeito teria ten-tado contato com Abi-Ackel no fim do ano para tratar de suas intenções, sem sucesso, pois o presidente da legenda estava viajando. O PSDB só tomou conhecimento do movimento após a posse, o que selou a saída. 

Agora, o PSDB afirma manter uma "posição política própria e independente". Essa movimentação confirma a barreira intransponível entre o PSDB e a atual gestão estadual, mas também levanta dúvidas sobre a vigilância interna da sigla. 

É inevitável questionar o papel de Carlos Mosconi, baluarte tucano e membro do diretório estadual. Como um "medalhão" de sua estatura permitiu tamanha sangria em sua base, que já havia perdido o prefeito Paulo Ney? 

O silêncio ou a inação diante dessa debandada sugere um isolamento total da cúpula ou que a estratégia local está sendo sacrificada em nome de novos arranjos para 2026.

 Com as saídas de Paulo Ney e Sérgio, restam ao PSDB em Poços apenas os vereadores Álvaro Cagnani e Wellington Paulista - este último, inclusive, nutre pretensões de candidatura a deputado e sua saída não seria surpresa.

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