Editorial 11/12/25
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
Saúde em Poços de Caldas está no limite do colapso
A crise na saúde de Poços de Caldas atingiu um novo e perigoso patamar. A decisão liminar do Juizado Especial da Comarca de Poços de Caldas, que determina o pagamento imediato de salários atrasados a médicos que prestavam serviços para a Santa Casa de Salto de Pirapora e a empresa Humani, sob pena de bloqueio das contas municipais, é a confirmação de que a gestão do setor vive no limite do colapso e falhou em sua obrigação mais básica: a de honrar o trabalho de seus profissionais.
A intervenção judicial, destinada a proteger os trabalhadores, escancara o caos vivenciado no setor. Os problemas com pagamentos de salários persistiram em 2025, com uma nova conveniada, a Santa Casa de Poços.
Médicos anunciaram em novembro que iriam paralisar as atividades caso a Prefeitura não fizesse os pagamentos.
Em paralelo a toda essa situação, o secretário adjunto de Saúde, José Gabriel Baeta da Costa, em entrevista no programa “Amigo Promotor”, confirma o problema: pedidos de demissões de médicos, atrasos nos pagamentos salariais e a insegurança crescente entre a categoria.
Embora a gestão negue abandono de plantão de médicos devido aos atrasos salariais e prometa diálogo ("ninguém vai dar calote"), a intervenção da Justiça e a frustração dos pacientes que se veem sem atendimento desenham um quadro de colapso iminente.
O quadro é incerto, pois o encerramento do convênio emergencial com a Santa Casa, previsto para 15 de janeiro de 2026, somado à dificuldade em contratar especialistas (neurologia e neuropediatria, por exemplo) e à falta de medicamentos essenciais (como sertralina), só intensifica a vulnerabilidade da rede municipal.
O próximo personagem a dar as caras na saúde local será a Instituição de Cooperação Intermunicipal do Médio Paraopeba, um consórcio de saúde que deverá prestar serviços ao município em breve.
Ainda não se sabe como será o formato desta prestação de serviços, mas o próprio secretário já adiantou que não se pode ficar dependentes de uma única pessoa jurídica para tratar de toda a saúde de Poços, o que sinaliza que além do novo consórcio, outras instituições, como a própria Santa Casa de Poços de Caldas e o Hospital Santa Lúcia, deverão se dividir na prestação de serviços à população, além ainda da estrutura da rede municipal de saúde.
O que se espera é que qualquer que seja o formato, ele precisa vir acompanhado de responsabilidade e planejamento financeiro rigorosos. A população está cansada de sofrer com as incertezas na gestão do setor.
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