Editorial 07/01/25
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
O que representa a nomeação de Sérgio Azevedo como assessor?
A nomeação do ex-prefeito Sérgio Azevedo (PSDB) para um cargo de assessor do Estado para o Sul de Minas no governo estadual, realizada neste começo de janeiro, carrega uma dualidade que merece análise profunda.
Sob uma ótica pragmática, o movimento é positivo para o Sul de Minas e, especialmente, para Poços de Caldas.
Como maior colégio eleitoral da região, a cidade padece há anos de um vácuo de representatividade direta no Legislativo; ter um interlocutor local no alto escalão do Estado é, portanto, uma conquista importante. Contudo, é preciso avaliar que o ato não tem qualquer verniz de "abnegação".
A gestão de Romeu Zema (Novo), em quase oito anos, pouco entregou de diferencial a Poços de Caldas, além dos repasses de praxe e de ações institucionais.
Pelo contrário: o governador é mais lembrado por ter sitiado a região com praças de pedágio do que propriamente pelo que fez de relevante.
A nomeação de Sérgio é puramente política e faz parte do jogo: visa pavimentar sua pré-candidatura a deputado e, sobretudo, tentar converter seu capital político em votos para o vice-governador Mateus Simões (PSD), que busca consolidar seu nome como sucessor de Zema.
O "jogo", entretanto, pode virar contra o ex-prefeito devido a um obstáculo ético e jurídico. Um Procedimento de Investigação Criminal (PIC), instaurado pelo Ministério Público de Minas Gerais contra ele no ano passado, é uma nuvem que paira sobre o cenário político poços-caldense.
Embora o teor ainda não seja conhecido de forma oficial, o MP enviou ofício à Câmara Municipal questionando a aprovação das contas do período 2023-2024.
A despeito de a prestação de contas não estar diretamente relacionada a um PIC, as informações foram solicitadas para subsidiar as diligências - um movimento que acendeu o sinal de alerta nos bastidores.
Na política, a lealdade costuma envelhecer como leite diante dos primeiros desgastes públicos. Caso o PIC revele conteúdos comprometedores, dificilmente Mateus Simões manterá Sérgio Azevedo no governo, a fim de não contaminar sua própria imagem.
O tempo dirá se a nomeação trará benefícios reais ou se será apenas uma passagem efêmera por conta de esqueletos no armário.
O eleitor, este sim, deve manter a vigilância. Promessas vazias e conversa fiada é o que mais se encontra em períodos eleitorais.
Qual é a sua reação?


