Editorial 07/01/25

Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade

Jan 7, 2026 - 12:35
Jan 7, 2026 - 13:56
Editorial 07/01/25

O que representa a nomeação de Sérgio Azevedo como assessor?

A nomeação do ex-prefeito Sérgio Azevedo (PSDB) para um cargo de assessor do Estado para o Sul de Minas no governo estadual, realizada neste começo de janeiro, carrega uma dualidade que merece análise profunda. 

Sob uma ótica pragmática, o movimento é positivo para o Sul de Minas e, especialmente, para Poços de Caldas. 

Como maior colégio eleitoral da região, a cidade padece há anos de um vácuo de representatividade direta no Legislativo; ter um interlocutor local no alto escalão do Estado é, portanto, uma conquista importante. Contudo, é preciso avaliar que o ato não tem qualquer verniz de "abnegação". 

A gestão de Romeu Zema (Novo), em quase oito anos, pouco entregou de diferencial a Poços de Caldas, além dos repasses de praxe e de ações institucionais. 

Pelo contrário: o governador é mais lembrado por ter sitiado a região com praças de pedágio do que propriamente pelo que fez de relevante. 

A nomeação de Sérgio é puramente política e faz parte do jogo: visa pavimentar sua pré-candidatura a deputado e, sobretudo, tentar converter seu capital político em votos para o vice-governador Mateus Simões (PSD), que busca consolidar seu nome como sucessor de Zema. 

O "jogo", entretanto, pode virar contra o ex-prefeito devido a um obstáculo ético e jurídico. Um Procedimento de Investigação Criminal (PIC), instaurado pelo Ministério Público de Minas Gerais contra ele no ano passado, é uma nuvem que paira sobre o cenário político poços-caldense. 

Embora o teor ainda não seja conhecido de forma oficial, o MP enviou ofício à Câmara Municipal questionando a aprovação das contas do período 2023-2024. 

A despeito de a prestação de contas não estar diretamente relacionada a um PIC, as informações foram solicitadas para subsidiar as diligências - um movimento que acendeu o sinal de alerta nos bastidores. 

Na política, a lealdade costuma envelhecer como leite diante dos primeiros desgastes públicos. Caso o PIC revele conteúdos comprometedores, dificilmente Mateus Simões manterá Sérgio Azevedo no governo, a fim de não contaminar sua própria imagem. 

O tempo dirá se a nomeação trará benefícios reais ou se será apenas uma passagem efêmera por conta de esqueletos no armário. 

O eleitor, este sim, deve manter a vigilância. Promessas vazias e conversa fiada é o que mais se encontra em períodos eleitorais.

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