Editorial 04/12/25

Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade

Dez 4, 2025 - 10:28
Dez 4, 2025 - 10:39
Editorial 04/12/25

Fracasso na concessão das Thermas sinaliza reavaliação das condições

O encerramento do processo de concessão das Thermas Antônio Carlos sem uma proposta sequer habilitada merece ser analisado. 

O fracasso do processo de concessão, promovido pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), é um sintoma da complexidade e do alto risco que pairam sobre a gestão do patrimônio poços-caldense. 

A decisão política de retirar o complexo do processo de federalização - instrumento que visava abater a bilionária dívida do Estado de Minas Gerais com a União - recolocou a responsabilidade de sua manutenção, desenvolvimento e custeio diretamente no Estado.. 

Essa escolha foi um aceno à preservação da identidade local, mas traz um ônus pesado: a necessidade de encontrar um parceiro privado com capacidade e interesse real. Contudo, o edital de concessão demonstrou ser uma armadilha, e não um convite. 

A exigência de um investimento robusto de R$ 130,8 milhões ao longo de 30 anos, combinada às rígidas regras de preservação histórica, fiscalizadas pelo Iepha e pelo CONDEPHACT, provavelmente foi o fator que motivou a presença de apenas um interessado, que por sinal, acabou desclassificado por não atender critérios técnicos. 

O alto valor de investimento em um período limitado sugere que as condições foram excessivamente onerosas, ainda que a Codemge também vá bancar parte da manutenção, conforme previsto no edital. 

O que ficou claro é que a iniciativa privada entendeu que o risco de retorno não compensa o custo de revitalizar e gerir um patrimônio histórico sob tantas amarras. 

A situação atual, com gestão estatal pela Codemge, oferece um alívio temporário: pelo menos, assegura a continuidade do acesso público a um dos principais cartões-postais de Poços de Caldas. 

A incerteza do privado é substituída, momentaneamente, pela certeza do acesso ao bem público. É certo que o processo deverá ser reiniciado em 2026 e o modelo de negócio precisa ser reavaliado, possivelmente, com a flexibilização das exigências financeiras, garantindo o investimento privado necessário, mas sem abrir mão da preservação do patrimônio e da vocação pública do espaço. 

A história das Thermas demanda uma solução que una viabilidade econômica e responsabilidade social.

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