Tempestade Perfeita analisa a crise no jornalismo profissional, mas há esperança
Quem trabalha com jornalismo ou se interessa pelo tema não pode deixar de ler o livro "Tempestade Perfeita: Sete Visões da Crise do Jornalismo Profissional", uma coletânea de ensaios editada pelo selo História Real (Intrínseca), que reúne grandes nomes da imprensa brasileira para debater a profunda crise existencial e econômica que o jornalismo enfrenta na era digital e do populismo.
A metáfora meteorológica de uma "tempestade perfeita" ilustra bem a convergência de vários eventos independentes que potencializam um efeito devastador na imprensa e na própria democracia, como a avalanche de fake news, a perda de publicidade para as plataformas digitais e os ataques coordenados de milícias digitais.
Autores e temas abordados
A coletânea conta com as experiências e reflexões de sete autores: Caio Túlio Costa, Cristina Tardáguila, Helena Celestino, Luciana Barreto, Marina Amaral, Merval Pereira e Pedro Bial.
Cada um, a partir de seu ângulo de atuação, aponta as deficiências e os rumos possíveis para o ofício do jornalismo.
Os temas centrais discutidos pelos autores incluem a necessidade urgente de reinvenção do modelo de negócio frente à concorrência das plataformas e à busca por novas formas de distribuição e financiamento.
O combate à avalanche de fake news, desinformação e os ataques coordenados de governos populistas contra jornalistas e a liberdade de expressão é outro ponto importante.
No texto de Cristina Tardáguila, por exemplo, ela aborda o surgimento e a importância das iniciativas de checagem de fatos (fact-checking) como inovação e resistência.
Outro ponto é a discussão sobre a urgente necessidade de ampliar a representatividade na cobertura jor-nalística, que ainda é majoritariamente pautada por homens brancos de classe média.
Os textos de Helena Celestino e Marina Amaral convergem na análise destas limitações históricas do jornalismo brasileiro.
Temos ainda o debate sobre o falso dilema entre neutralidade jornalística e a necessidade de clareza moral, além da ética inerente ao jornalismo independente.
Por fim, se analisa a postura a ser adotada diante de líderes eleitos que buscam sistematicamente erodir as fundações democráticas e a onda de relativismo disfarçado de argumentação política. Sem dúvida, um cenário desafiador como nunca se viu antes.
O jornalismo e seus desafios
O livro funciona como um retrato crítico, porém esperançoso, do jornalismo profissional brasileiro na atualidade.
O diagnóstico é claro: a imprensa é uma das instituições fundamentais da sociedade democrática e está sob crise histórica de consequências existenciais.
Embora o cenário seja conturbado, os autores compartilham a convicção de que o jornalismo profissional não perecerá, pois a informação de qualidade é o "valor maior" desta era, e a "tempestade perfeita será superada".
Como se vê, são temas cujo interesse não se resume apenas a jornalistas, mas a qualquer cidadão minimamente interessado com o que acontece a seu redor.
* João Gabriel Pinheiro Chagas é diretor do Jornal da Cidade
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